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GRUPO SANGUÍNEO ABO E FATOR Rh D

Nº185 - março - 2018

O IACS adotou recentemente uma tecnologia automatizada para fazer a Tipagem Sanguínea do Sistema ABO e do Fator RhD. Neste processo as amostras são inseridas no aparelho que executa as análises e envia os resultados diretamente via sistema para análise de consistência e liberação do resultado em tela. Transfusionalmente, o sistema ABO é o mais importante dos 35 tipos/grupos do sistema de classificação dos tipos sanguíneos. Consiste de três antígenos, A, B e H, que produzem quatro fenótipos A, B, AB e O, cuja característica é a presença normal de anticorpos anti-A e anti - B na ausência dos correspondentes antígenos (A e/ou B) na membrana das hemácias. Com a nossa nova aparelhagem automática a tipagem direta e a reversa são realizadas simultaneamente, com aumento da sensibilidade da reação, de modo que agora é possível classificar tipos de sangue que anteriormente poderiam gerar dúvidas. Na primeira fase da reação ( a tipagem direta ) , a metodologia atual utiliza anticorpos monoclonais, mais potentes e específicos, para detectar antígenos ABO/Rh nas hemácias do paciente. Na segunda fase (a classificação reversa), são pesquisados os anticorpos do sistema ABO/Rh no soro do paciente, usando-se hemácias comerciais A e B. O resultado das duas etapas, feitas ao mesmo tempo devem ser concordantes. Discrepâncias podem ocorrer entre estas duas etapas por vários motivos. Entre as mais comuns, temos:

 Anticorpos relacionados com a idade: idosos e RN.

As crianças começam a apresentar anticorpos anti-A ou anti-B somente entre três a seis meses de idade, de modo que em RN com menos de quatro meses somente a fase direta é confiável. Em idosos, os anticorpos anti-A ou anti-B apresentam títulos muito baixos e podem reagir fracamente ou não reagir na fase reversa, sendo a tipagem direta também a mais confiável.

 Variantes fracas do grupo ABO

 Dez anos depois da descoberta dos grupos sanguíneos, subgrupos de A foram identificados e divididos em dois fenótipos: A1 e A2. Perto de 80% das pessoas do grupo A são A1 e perto de 20% são A2, sendo que os dois subgrupos reagem com soro anti-A, o que não acontece com outros subgrupos que dão uma reação fraca ou não reagem com o soro anti-A. Os subgrupos de A podem ser erroneamente classificados na primeira fase. Havendo discordância na reação reversa, feita simultaneamente com a primeira fase, procede-se a investigação. Isto também pode ocorrer com o grupo B, onde são encontrados subgrupos que também podem dar uma reação fraca ou não reagir com o soro anti-B. Estas discrepâncias são resolvidas seguindo-se o protocolo específico.

Nível elevado de globulinas

 A formação de rouleaux, que pode ocorrer em pacientes com nível elevado de globulinas como no Mieloma Múltiplo , na Macroglobulinemia de Waldestrong, no Linfoma de Hodkin, entre outros, podem ocasionar reações discrepantes.

 Transfusões

 Outras discrepâncias ocorrem em pacientes que recebem transfusões constantemente, como na Anemia Falciforme e síndrome Mielodisplásica, devido a presença de aloimunizações contra antígenos dos glóbulos vermelhos. Na Leucemia Aguda os antígenos na membrana dos eritrócitos também podem ficar enfraquecidos.

Hipogamaglobulinemia severa:

 Na Hipogama globulinemia , anticorpos naturais anti-A e Anti-B apresentam concentrações baixas por doença ou por terapia imunossupressora, mostrando discrepâncias na reação reversa. Existem outros tipos de alterações ainda mais raras que quando detectadas são investigadas através de protocolos para se conseguir identificar corretamente o grupo sanguíneo do paciente.

 Implicações Obstétricas e Perinatais

 A doença hemolítica do recém nascido, em geral, não ocorre com incompatibilidades ABO, pois esses anticorpos são IgM e não cruzam a barreira placentária. Entretanto, em mães com tipo sanguineo ‘O’ os anticorpos IgG podem ser produzidos com o potencial de doença hemolítica ABOdo recém-nascido.

Sistema Rh (antígeno D)

 Do ponto de vista clínico, o antígeno D do sistema Rh é o mais importante dentro do grupo dos antígenos Rh (que contém 50 diferentes antígenos), por ser o mais imunogênico e responsável pela doença hemolítica do RN e de outras reações hemolíticas agudas ou retardadas. Em contraste com o sistema ABO, a imunização contra o Rh pode ocorrer por transfusão ou por exposição placentária. A frequência de Rh D (Rh+) é variável, sendo a maioria das pessoas Rh+ e uma porcentagem menor Rh-. Existem também variantes do RhD, descobertos há relativamente pouco tempo, que molecularmente são classificados em três tipos: fenótipo D fraco, fenótipo D parcial e fenótipo DEL.

 Dfraco

 O D fraco é uma variante da proteína RhD e expressa uma quantidade diminuída do antígeno D. Nos Estados Unidos há uma tendência em se pesquisar pela biologia molecular o D fraco. Se eles forem classificados dentro de alguns tipos (1, 2, 3, 4.0, 4.1 e 5), podem ser considerados com segurança como RhD+. Outros tipos são considerados como RhD-. Esses indivíduos são rotulados como RhD+ para fins de doação de sangue e, em geral são considerados como RhD- se forem receptores de transfusão de sangue. É importante a definição do seu genótipo, pois a maioria dos bancos de sangue tem suprimentos limitados de sangue RhD-.

  Dparcial

 Este fenótipo tem substituição de um aminoácido na membrana extracelular do eritrócito. A maioria expressa este fenótipo como RhD+ pela sorologia de rotina. Pessoas com RhD parcial perdem a expressão de alguns epítopos do antígeno D e podem desenvolver aloanticorpos anti-D ao entrar em contato com eritrócitos RhD+ normais e devem ser consideradas  

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