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Desmistificando a anatomia patológica

Fascículo 2: A imuno-histoquímica (IPX) na prática médica atual

O QUE É IMUNO-HISTOQUÍMICA?

A imuno-histoquímica baseia-se na reação imunológica antígeno-anticorpo que, ao ser executada ao nível celular, permite freqüentemente avaliar a expressão protéica das neoplasias. Ela utiliza-se de anticorpos heterólogos como marcadores, os quais, ao reagirem com o tecido fixado em parafina, convertem a avaliação morfológica e subjetiva dos patologistas em uma avaliação específica.

 

APLICAÇÕES DO EXAME IMUNO-HISTOQUÍMICO

O método imuno-histoquímico teve inicio na década de 80 e, desde então, vem apresentando notáveis avanços. O desenvolvimento dos novos anticorpos e da farmacogenômica permitiram a criação de medicamentos direcionados para algumas expressões protéicas específicas. Como exemplo dessas inovações, pode-se destacar os tratamentos específicos contra o câncer de mama e contra os tumores estromais gastro-intestinais (GIST).
Os cânceres de mama são neoplasias com etiogênese heterogênea, mas que têm sido categorizados como: a) hormônio correlatos e b) hormônio não correlatos. Dentre os padrões existentes, a positividade de +2/+3 e +3/+3 para o marcador c-erb-B2, presente em 25% dos tumores mamários e ovarianos, confere pior prognóstico devido a maior resistência à quimioterapia. Todavia, a partir de 2001, com o início do uso da droga trastuzumabe (Herceptin ®), dirigida contra a expressão protéica específica, vêm sendo alcançados excelentes resultados terapêuticos.
Outra neoplasia para a qual já existe droga dirigida por marcação imuno-histoquímica, é o Tumor Estromal Gastro-Intestinal (GIST). Esta neoplasia oriunda da célula de Cajal, e que expressa CD117(c-Kit), é sensível à droga mesilato de imatinib (Gilvec®), a qual, por competição pelo receptor expresso, promove a regressão ou mesmo o desaparecimento da lesão. Esta mesma droga também apresenta ótimos resultados na terapia contra a Leucemia Mielóide Crônica.
Além desses exemplos, a imuno-histoquímica possibilita a caracterização de neoplasias indiferenciadas e a determinação de sítios primários de neoplasias metastáticas e ocultas.

 

NOVAS APLICAÇÕES DA IMUNO-HISTOQUÍMICA

A partir de 2002, duas novas aplicações desse método foram incorporadas na prática diagnóstica. 1) No estadiamento dos linfonodos axilares em cirurgias mamárias.
O achado de células neoplásicas apenas ao exame imuno-histoquímico, confere o estadiamento pN0(i+).
Se houver formação de bloco celular maior que 0,2 mm, o estadiamento passa a ser pN0mi(i+), alterando o prognóstico da paciente.
2) No estudo de material obtido através de Punção Aspirativa com Agulha Fina.
Em materiais de punção tireoideana, o uso da imuno-histoquímica norteia a conduta nos casos com diagnóstico de padrão folicular.
No material de punção oriundo de nódulos mamários BIRDS IV e V, o estudo para receptores prognósticos possibilita o uso de terapia adjuvante, com elevação dos índices de sucesso terapêutico.

 

MARCADORES DISPONÍVEIS

Nosso Serviço pode dispor de mais de 230 diferentes marcadores imuno-histoquímicos, com painéis pré-estabelecidos para material mamário e para a triagem de sítios ocultos e de linfomas.

Dr. Ricardo Camilo de Almeida
Especialista em Patologia pela AMB e FMUSP
Doutorando pela Universidade de São Paulo

 

BIBLIOGRAFIA

1. Rosai, J. Special techniques in surgical pathology. In: Rosai and Ackerman’s Surgical Pathology, Mosby 2004, vol: 1, Chapter 3:37-92.

2. Oliveira, M.A , Santos, G. C, Kanamura , C.T, Alves, V. A .F. Imunoexpressão da proteína Her-2 em punção aspirativa com agulha fina de carcinoma de mama: Correlação com os achados da peça cirúrgica.. RBGO.2003;25(1):23-28.

3. Csemi, G. Evaluation of sentinel lymph nodes ins breast câncer. Histopathol. 2005;46:697-706

4. http://novartis.pulso.com.br/publishernovartis

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6. Baxevanis, C.N, Sotiropoulu, P. A . et5 al. Immunobiology of HER-2/ neu oncoprotein and its portential application in cancer immunotherapy. Cancer immunol. Immunother. 2004;53:166-175.

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