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  • Informativo

Bactérias produtoras de beta-lactamases

Nº 121 Jul/Ago - 2002

Cepas resistentes a antibióticos

As beta lactamases são enzimas bacterianas que hidrolizam os novos antibióticos beta-lactâmicos. Foram detectadas pela primeira vez na década de 80 em cepas de Klebsiella sp. e logo depois em cepas de E.coli. Nos últimos vinte anos muitos antibióticos beta-lactâmicos foram desenvolvidos e especificamente preparados para serem resistentes a esta ação hidrolítica das beta-lactamases; no entanto, com o passar do tempo , novas enzimas surgiram pela pressão seletiva do uso e abuso dos novos antibióticos.

As betas-lactamases conferem às bactérias que a contém, resistência às celalosporinas de amplo espectro de ação (terceira geração) como a ceftazidima, cefotaxima e ceftriaxone (oximino-cefalosporinas) e aos monobactâmicos como o aztreonam.

As cepas produtoras destas beta-lactamases são responsáveis por infecções hospitalares e são, também, uma importante fonte de transferência de resistência aos antibióticos para outros microorganismos. Por causa do seu grande espectro de atividade, estas enzimas foram chamadas de beta-lactamases de espectro extendido (ESBL). A maior parte das ESBL são mutações das beta-lactamases TEM-1, TEM-2 e SHV-1. Não afetam as cefamicinas (cefalosporinas de segunda geração como a cefoxitina e cefotetano ) nem os carbapenenos como o meropenem e o imipenem.

O tratamento de pacientes com infecção causada por cepas que produzem ESBL fica limitado a poucos agentes de amplo espectro de ação, os quais poderão também falhar diante de microorganismos que produzem múltiplas beta-lactamases. Estes microorganismos podem ser resistentes a combinações de antibióticos beta-lactâmicos com inibidores da beta-lactamase, e também às cefamicinas, carbapenenos além das oximino cefalosporinas e aztreonam.

O problema do tratamento das infecções causadas por cepas de bactérias que produzem ESBL é universal, e ocorre principalmente em hospitais que usam de maneira indiscriminada as cefalosporinas de amplo espectro de ação. Fatores de risco também corroboram, como o tempo de internação, gravidade da doença, tempo de UTI, intubação ou ventilação mecânica, cateterização urinária ou arterial.

Uma medida de controle é a substituição da terapêutica para diferentes classes de antibióticos de amplo espectro de ação para o tratamento de infecções graves. Aqueles com melhores resultados foram o imipenem e a piperacilina/tazobactam. Vários estudos mostraram que a implementação de uma restrição rigorosa ao uso de cefalosporinas de amplo espectro de ação, junto com medidas gerais para o controle das infecções hospitalares, podem diminuir a prevalência destas cepas.

Uma observação preocupante é que há uma alta associação da resistência à ciprofloxacina em cepas que produzem ESBL.

 

O teste para beta-lactamases

O aumento da prevalência de enterobactérias produzindo estas beta-lactamases criou a necessidade de métodos que identifiquem a presença destas enzimas no microorganismo isolado, condição importante para o tratamento do paciente, porque permite ao médico assistente selecionar o antibiótico adequado evitando medicamentos ineficazes e de alto custo.

No IACS utilizamos o método de difusão em agar como triagem, utilizando discos de ceftazidima (J.Clin.Microbiol. 1999, 37 4065-70) e confirmação com o teste da cefinase. Atualmente a pesquisa é feita sómente na E.coli e na Klebsiella sp. isoladas de infecções graves, ou a pedido do médico assistente.

 

Interpretação do teste

Cepas de E.coli e de Klebsiella sp que produzem ESBL podem ser clinicamente resistentes ao tratamento com penicilinas, cefalosporinas ou aztreonam . Seguindo a orientação do National Committee for Laboratory Standards de janeiro de 2000, o IACS reporta estas cepas como resistentes àqueles antibióticos seja qual for o resultado encontrado no antibiograma.

 

Limitações

Este teste pode dar resultados falsos negativos pois não detecta todas as beta-lactamases. Cepas que produzem ESBL em baixos níveis, ou múltiplas beta-lactamases, podem mascarar o teste e levam a resultados falsos negativos. Apesar desta limitação, o teste é um auxiliar valioso para a seleção da antibioticoterapia mais efetiva.

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