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  • 01nov
  • Informativo

Anticorpos anti-ccp novo teste para artrite reumatóide

Nº 123 Nov - 2002

A artrite reumatóide (AR) é uma desordem autoimune sistêmica de etiologia desconhecida, cujo aspecto de maior realce é a sinovite erosiva crônica e simétrica das articulações periféricas. O diagnóstico é baseado na presença de sinais clínicos (como dor e edema articulares), radiografia das articulações envolvidas e testes laboratoriais (fator reumatóide, hemossedimentação e proteína C reativa).

 

Fator reumatóide

Os fatores reumatóides são auto-anticorpos dirigidos contra IgG. São imunoglubulinas predominantemente da classe IgM e para a sua detecção utilizaram-se o Teste de Aglutinação com hemácias de carneiro (Waaler-Rose) e o Teste de Aglutinação pelo látex (Singer-Plotz). Atualmente a nefelometria, que detecta a IgM e outros isotipos, é o método de escolha por produzir melhor especificidade e sensibilidade.
Os seus títulos se correlacionam grosseiramente com a doença progressiva e erosiva, e, freqüentemente, há uma queda nos títulos em resposta a uma terapia bem sucedida e durante as remissões prolongadas.
Apesar de ser simples, reproduzível e de baixo custo, o FR apresenta algumas deficiências como teste diagnóstico e prognóstico:

1-O FR é detectado em cerca de 5% da população saudável, e a prevalência incrementa com a idade, atingindo 25% dos indivíduos acima dos 75 anos. Apresenta-se, ainda, positivo em várias patologias como as colagenoses e em várias infecções crônicas.

2-O FR é negativo em 1/3 dos pacientes com AR.

3-O FR é positivo em menos de 50% dos casos de AR, nos primeiros 6 meses de doença.

4-O estudo do FR não proporcionou, até agora, nenhuma visão da patogênese da AR e não prevê a resposta a uma terapia específica ou a probabilidade de toxicidade aumentada a uma medicação particular.

 

O teste Anti-CCP

Dois tipos de auto-anticorpos foram descritos nos últimos vinte anos que parecem suplementar o FR como teste diagnóstico e prognóstico. Um grupo é o de anticorpos anti-perinucleares que reagem com grânulos querato-hialinos de células da mucosa bucal humana; um segundo grupo reage com a queratina em tecidos epiteliais estratificados. Estudos bioquímicos indicaram que os antígenos em ambos ensaios são formas de uma molécula intracelular conhecida como filagrina, e, mais recentemente, o peptídio da filagrina responsável pela reatividade antigênica foi demonstrado ser o peptídio cíclico contendo o pouco usual aminoácido citrulina. A citrulina é produzida pela modificação pos-translacional da arginina através da ação da enzima deiminase peptidil arginina. Modelos sintéticos desses peptídios foram preparados e aplicados como substrato antigênico num imunoensáio ELISA: este é o Teste anti-CCP (anti-peptídio cíclico citrulinado).

Estudos têm demonstrado que o Teste anti-CCP tem especificidade entre 90% e 98% e sensibilidade de 68%.

A presença dos anticorpos anti-CCP parece ser independente do FR, e a sensibilidade é a mesma em pacientes com AR inicial ou com a doença estabelecida. Isto significa que os médicos têm agora um marcador sorológico para diagnosticar aproximadamente a metade dos pacientes com AR que eram previamente soronegativos. Ademais, os anticorpos Anti-CCP parecem estar associados com a doença erosiva e progressiva.

Um antígeno que reage com os anticorpos anti-CCP parece estar presente na membrana sinovial reumatóide inflamada; e são encontradas células B produzindo espontaneamente anticorpos anti –CCP do tipo IgM no fluido sinovial de pacientes com AR ativa, mas não em outros fluidos sinoviais inflamados. Esta última observação sugere que os anticorpos anti-CCP podem conduzir a descoberta de outros antígenos ardilosos responsáveis pela eclosão da resposta imuno-inflamatória na AR.

 

Novo paradigma

Nos anos recentes tem havido uma tendência de mudança de paradigma, com os reumatologistas procurando antecipar o uso das drogas de 2a. linha e 3a. linha para o tratamento dos pacientes com AR, e procurando, também, iniciar o tratamento mais cedo no curso da doença.
Vários fatores contribuíram para essa tendência de adotar um tratamento agressivo mais precocemente: os médicos estão tentando intervir antes que ocorram as lesões irreversíveis nas juntas, ou antes que as lesões inflamatórias se auto-perpetuem. Há, também, o crescente reconhecimento do favorável risco/beneficio das baixas doses de metotrexate oral, isolado ou em combinação.

 

Conclusão

O anticorpo anti-CCP é um novo marcador sorológico para a AR, com utilidade diagnóstica e prognóstica que suplementa o FR. A sua importância fica realçada diante da tendência atual de tratar a AR mais cedo e mais agressivamente com agentes que modificam o curso da doença.

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