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Nº 147 - Outubro/Novembro de 2005
HIV - Teste de quarta geração
HISTÓRICO
Desde sua introdução em 1985, os testes de triagem para o HIV estão em constante evolução, em virtude dos avanços na utilização dos antígenos recombinantes e peptídeos sintéticos e da análise genética dos vírus. Haviam sido descobertos dez subtipos do envelope do HIV, designados como grupo M, além dos isolados em Camarões, designados como grupo O. Em 1986 foi isolado um segundo vírus do HIV, o HIV-2, na África Ocidental, semelhante ao HIV-1, mas com algumas glicoproteinas do envelope diferentes o suficiente para não ser detectado pelos testes da época, os quais logo foram substituídos por técnicas que permitiam revelar os dois tipos de vírus
ENSÁIO DE TERCEIRA GERAÇÃO
O IACS vinha utilizando um ensaio imunoenzimatico por micropartículas (MEIA) de terceira geração, o HIV1/2 gO, que utiliza antígenos recombinantes correspondentes a quatro proteínas virais, que são: o envelope do HIV grupo M, o envelope do HIV grupo O, o núcleo do HIV-1, o envelope do HIV-2, e dois peptídeos sintéticos correspondentes ao envelope do HIV-1 e ao envelope do HIV-2. A utilização desta técnica melhora a detecção dos anticorpos anti HIV-1, incluindo os anticorpos anti HIV-1 do grupo O e anti HIV-2. Tanto a sensibilidade quanto a especificidade destes testes são bastante altas, mas os resultados positivos devem ser confirmados com nova amostra de sangue para o Western-blot, pois resultados falsamente positivos podem ocorrer.
Resultados falsos negativos também podem ocorrer, e uma das principais causas é a janela da fase anterior a soroconversão, que ocorre usualmente entre duas semanas a três meses, e, em 95% das pessoas dentro de seis meses. Outras causas de resultados falsamente negativos são: a soroconversão atípica, mais tardia, nos casos de infecção ocupacional concomitante do HIV e HCV, ou uma resposta imune retardada ou ausente, logo no início da infecção ou em estágios avançados da doença. O maior risco de falso negativo (90%), contudo, é observado na fase anterior a soroconversão durante a infecção primaria – a janela diagnóstica. Por essa razão, entramos nos ensaios de quarta geração.
ENSÁIO DE QUARTA GERAÇÃO - HIV Ag/Ac Combo
A importância do diagnóstico precoce da infecção pelo HIV visando a segurança, prevenção e prognóstico da doença, levou ao desenvolvimento de um novo teste que permite a detecção simultânea dos anticorpos anti HIV e também do antígeno do HIV. Este teste é uma combinação do teste de terceira geração, que detecta anticorpos anti HIV-1, inclusive sub tipo O, anticorpos anti HIV-2 e, simultaneamente, detecta também o antígeno p24 do HIV-1.
Utilizando-se esta tecnologia, pode-se diagnosticar a infecção pelo HIV mais precocemente do que com os testes de terceira geração, pela possibilidade de detectar no soro do paciente o antígeno p24, utilizado-o como o marcador que pode estar presente em amostras de pessoas com infecção recente, antes da soroconversão
Desta maneira a janela diagnóstica pode ser reduzida entre 4 e 9 dias, quando comparada com o teste de terceira geração.
Este novo ensaio não discrimina se a reatividade é devida aos anticorpos anti HIV-1 ou anti HIV-2 ou ao antígeno p24 do HIV-1. Este teste também não substitui aquele que faz a pesquisa somente do antígeno p24, por ser este último mais sensível do que o teste combinado descrito acima que o IACS passou a utilizar em sua rotina.
Como ocorre com todos enzimaimunoensaios, este teste combinado também pode produzir reações não específicas, especialmente quando são analisadas amostras de população de baixa prevalência. Desta maneira, permanece a imposição de investigar uma amostra reagente com testes suplementares como o Western-blot.
Referências
Am. J. Méd 1997 102 115/16
J.Clin.Microbiol 1998 36 2235/39
J.Virol.Methods 2000 90 153/65
J.Clin.Microbiol 2002 40 1938/46
Curr HIV/AIDS Rep 2004 1 68/73
J.Clin.Microbiol 2004 42 21/29
Methods Mol Biol 2005 304 229/43
Axsym Sistem HIV Combo
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