Nº 146  Setembro - 2005

 

DISMISTIFICANDO A ANATOMIA-PATOLÓGICA

Fascículo 1: Punção Aspirativa por Agulha Fina (PAAF) 

                      um procedimento subutilizado

Dentre os procedimentos diagnósticos a PAAF tem seu espaço reconhecido como importante meio para o diagnóstico de certeza de lesões parenquimatosas sólidas e/ou císticas, de localização superficial ou profunda, sempre orientadas por mecanismos de imagem (Ultra-som - US ou Tomografia Computadorizada - TC). 

Conhecida como procedimento minimanente invasivo e apelidada de S.A.F.E. (Simple, Accurate, Fast, Economic), é um método eficaz para a obtenção de diagnósticos morfológicos, divididos basicamente em: benigno, maligno e suspeito para malignidade, o que muitas vezes é suficiente para a indicação de abordagem cirúrgica. A sensibilidade do procedimento é de 84%, a especificidade de 98% e valor preditivo positivo de 95%, segundo estudos publicados já há 12 anos.

O procedimento é realizado, preferencialmente, a quatro mãos, tendo a radiologista o papel de guia para a escolha da área a ser puncionada e do trajeto menos traumático para este fim. Já ao patologista cabe a responsabilidade de:

1) Adequabilidade da amostra: minimizando o diagnóstico inconclusivo que obriga a nova intervenção;

2) Representavidade da amostra, colhendo as áreas com suspeita radiológica e não apenas áreas de necrose ou de degeneração cística;

3) Correlação imagino-microscópica, o que muitas vezes autoriza o médico-assistente a optar por procedimento cirúrgico ao se firmar o diagnóstico de certeza.

Dentre os órgãos parenquimatosos avaliáveis por esse método, o IACS estará realizando PAAF de mama, tireóide, linfonodos, glândulas salivares e partes moles.

Para o diagnóstico de patologias mamárias, a PAAF tem substituído a punção por agulha grossa (core biopsy) porque:

1) Evita cicatrizes, que além do problema estético, podem causar distorção em imagens à mamografia e ao US, dificultando avaliações futuras;

2) Já existem meios de se realizar estudo imuno-histoquímico no material citológico para avaliação de resposta à quimioterapia adjuvante (conforme será discutido em próximos fascículos);

3) O diagnóstico de suspeita e o de malignidade dão ao mastologista a opção da intervenção cirúrgica imediata.

Todavia, é na avaliação de lesões tireoideanas que a PAAF alcança seu maior significado. Todo nódulo tireoideano deve ser avaliado e, invariavelmente, um diagnóstico morfológico conclusivo é alcançado.

Assim, o IACS apresenta à comunidade médica santista o serviço de citopatologia, cujas possibilidades diagnósticas através da avaliação morfológica e imuno-histoquímica (mais de 100 marcadores) estão de imediato disponibilizadas.

Nos próximos fascículos abordaremos a aplicabilidade do exame imuno-histoquímico com importante mecanismo norteador da prática médica.

Dr. Ricardo Camillo de Almeida

Responsável pelo Serviço de Citopatologia e Imuno-histoquímica do IACS

Médico Patologista especialista pela AMB e FMUSP

Doutorando em Patologia da Universidade de São Paulo