Nº 145  Agosto - 2005

 

DIABETES MELLITUS

Atualização do diagnóstico e da monitorização

As formas de solicitar vários exames e de interpretar os seus resultados têm sofrido mudanças constantes ao longo dos anos. 

Com relação ao diabetes mellitus, ocorreram recentemente modificações marcantes.

A classificação e as normas para diagnóstico desenvolvidas pelo National Diabetes Data Group e publicados em 1979, sofreram revisão a partir de 1995, por parte do Expert Committee on the Diagnosis and Classification of Diabetes Mellitus com o patrocínio da American Diabetes Association.

Baseado na análise da literatura científica dos últimos 18 anos, com o objetivo de melhorar a classificação e o diagnóstico do diabetes mellitus, foi elaborado o último relatório do Expert Committee, que está dividido em quatro seções: definição e descrição do diabetes, classificação da doença, critério diagnóstico e exames para o diagnóstico do diabetes. A nova classificação é embasada na etiologia e/ou patogênese, e tem como meta reduzir a morbidade e a mortalidade associadas à doença.

AS NOVAS ABORDAGENS

Em janeiro de 2004, a Diabetes Care publicou a nova posição da American Diabetes Association, revisada e aprovada pelo Professional Practice Committee e Executive Committee of the Board of Directors, cujo novo posicionamento foi embasado em graus de evidências científicas.

Uma das alterações de grande impacto, é a revisão do valor de referência da Glicemia de jejum, reduzido de 110 mg/dL para 99 mg/dL, estabelecendo o estágio denominado pré-diabetes (intolerância à glicose), que passa, portanto, a incluir milhões de indivíduos nesse patamar de glicemia alterada.

Os anteriores critérios diagnósticos para o Teste de Tolerância Oral à Glicose (TTOG) permanecem inalterados.

A Glicemia pós-prandial  não é sugerida como teste diagnóstico, mas como Teste de Controle (monitorização), podendo ser realizado 1 ou 2 horas depois de qualquer refeição.

O screening de diabetes e pré-diabetes é recomendado para os pacientes com fatores associados, como obesidade, idade acima de 45 anos, história familiar de diabetes e diabetes gestacional prévia.

DIABETES GESTACIONAL

Em relação ao diabetes gestacional (DG), o Teste de Rastreamento de Diabetes Gestacional continua sendo feito com 50 g de glicose oral e determinação da glicemia 1 hora após a sobrecarga. O valor referencial com o cutoff em 140 mg/dL identifica 80% dos casos de DG, e em130 mg/dL identifica 90% dos casos.

O TTOG para o DG pode ser realizado com 100 g de glicose e determinações de glicemias de jejum, 1 hora, 2 horas e 3 horas, e com valores referenciais, respectivamente, de 95, 180, 155 e 140 mg/dL; ou com sobrecarga de 75 g de glicose, determinações de glicemias de jejum, após 1 e 2 horas, e valores referenciais, respectivamente, de 95, 180 e 155 mg/dL.

MONITORIZAÇÃO DA GLICEMIA

A monitorização da glicemia pode ser feita com a dosagem da glicemia laboratorial ou a domiciliar com glicosímetro, a hemoglobina glicada (HbA1c), a frutosamina e a monitorização contínua da glicose subcutânea (Holter da glicemia).

Quanto a HbA1c, os parâmetros do Diabetes Control and Complications Trial e do United Kingdom Prospective Diabetes Study, estabelecem como principal alvo a manutenção do seu nível em valores abaixo de 7%, só sendo válida esta meta quando a determinação é realizada pelo método da cromatografia líquida de alto desempenho (HPLC).

A Monitorização Contínua da Glicemia (MCG) é realizada pela medida direta da glicose presente no líquido intersticial através de um sensor subcutâneo. O procedimento, relativamente simples, utiliza um aparelho de dimensão análoga a de um celular preso na cintura, e a colocação do sensor no subcutâneo. Durante as 72 horas de monitorização, em que a medição da glicose é feita a cada 10 segundos, o paciente pode realizar suas atividades de rotina. Ao final deste prazo o aparelho é conectado a um computador, que expressará em forma gráfica todas as flutuações da glicemia ocorridas no período.

BENEFÍCIOS DA NOVA VERSÃO

Com o novo conceito de pré-diabetes e com os recursos de monitorização, aumentou a sensibilidade para o diagnóstico dos indivíduos com risco de desenvolver diabetes e intolerância à glicose. Torna-se, assim, possível a intervenção no sentido de retardar a instalação ou a evolução da doença, e melhorar o prognóstico das conseqüências tardias: retinopatia, nefropatia, IAM, AVC, doença vascular e amputações.