143  Mai / Jun - 2005

 

MACROPROLACTINA: RESULTADOS QUE GERAM INCERTEZA

INTRODUÇÃO

A prolactina é um hormônio heterogêneo produzido pelas células lactotróficas da hipófise anterior. Está presente na circulação nas formas de um monômero com 199 aminoácidos e peso molecular de 23kDa e de um dímero com peso molecular em torno de 45kDa (big prolactina). Uma forma de alto peso molecular com 150 – 170kDa (big big prolactina), conhecida como macroprolactina, geralmente corresponde ao complexo antígeno-anticorpo formado pela prolactina de peso molecular 23kDa e a imunoglobulina IgG. Cerca de 80-90% da prolactina total presente no sangue dos indivíduos normais e de pacientes com prolactinoma, está na forma monomérica com peso molecular de 23kDa. A big prolactina e a big big prolactina, nestes casos, estão presentes em concentrações perto de 10% do total da prolactina circulante.

Quando o soro do paciente apresenta um predomínio da forma big big prolactina, o achado é denominado de macroprolactinemia.

RESULTADOS QUE GERAM INCERTEZA

Quando uma pessoa, com níveis elevados de prolactina sérica, não apresenta sintomas típicos de hiperprolactinemia e/ou ressonância magnética com evidências de tumor hipofisário, suspeita-se da ocorrência de macroprolactinemia. Uma biodisponibilidade diminuída da prolactina parece ser responsável pela ausência de sintomas em pacientes com macroprolactinemia. A ocorrência do imuno-complexo prolactina-imunoglobulina diminui a sua disponibilidade para a ligação aos receptores específicos, porque o grande tamanho da molécula limita sua passagem através do endotélio capilar.

O fato de maior relevância da ligação da prolactina à imunoglobulina, é a alteração de suas propriedades funcionais. Fazendo-a menos disponível para a ligação com os receptores específicos, diminui a sua bio-atividade e aumenta a sua meia-vida na circulação sanguínea. Este aumento da meia-vida é responsável pela elevação de sua concentração sanguínea sem que se manifestem sinais de atividade biológica.

Gera incerteza, o fato que os ensaios específicos usados para dosar a prolactina sérica monomérica, reconheçam, também, a macroprolactina. A porcentagem de macroprolactina encontrada em casos de hiperprolactinemia é da ordem de 25%.

A INVESTIGAÇÃO POR IMAGEM

Vários estudos sugerem que nos pacientes com macroprolactinemia, a investigação por imagem só deveria ser realizada quando fossem encontrados sinais clínicos que justificassem tal investigação. (Leslie H, Courtney CH, Bell PM, Hadden DR McCance DR, Ellis PK et al. Laboratory and clinical experience in 55 patients with macroprolactinemia identified by a single polyetilene glycol precipitation method. J Clin Endocrinol Metab 2001; 86:2743-6).   

Os níveis de prolactina, em pacientes normais, sofrem elevações não patológicas por ação de vários fatores como uso de medicamentos, ciclo menstrual (valores mais elevados na fase folicular), estresses, exercício e outras situações. Apesar destas flutuações em indivíduos normais, sugere-se que se realize a pesquisa da macroprolactina nos casos de hiperprolactinemia, estabelecendo um valor de corte em torno do dobro do valor normal para a realização da pesquisa.

A PESQUISA DA MACROPROLACTINA E SUA INTERPRETAÇÃO

A pesquisa de macroprolactina é realizada por precipitação do polietileno glicol (PEG). As recuperações acima de 65% são indicativas da ausência de macroprolactina e recuperações menores que 30% indicam presença da mesma. Recuperações entre 30% e 65% necessitam a utilização de cromatografia de filtração de gel para a devida identificação da molécula. A avaliação do custo-benefício na realização da pesquisa de macroprolactina nas amostras com hiperprolactinemia, no momento, está bem demonstrada; isto é, torna-se mais econômico fazer a pesquisa de macroprolactina nos casos de hiperprolactinemia em pacientes sem sinais clínicos,  do que submete-los a investigação por imagem.