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HEPATITE
B CRÔNICA E O ANTÍGENO
HBe
Segundo
a OMS, 2 bilhões das pessoas hoje vivas foram infectadas, em algum
tempo de suas vidas, pelo vírus da Hepatite B. São 4 milhões de
casos novos ao ano, gerando 1 milhão de novos casos crônicos (1). A
infecção aguda é hoje facilmente diagnosticada através de ensaios
imunológicos que detectam, principalmente: a) presença da proteína da
superfície do vírus (HBsAg)
ou b) presença de anticorpos contra a proteína do core viral ou
nucleocápside (anti-HBc IgG
ou IgM). A evolução para cura é marcada pelo aparecimento de
anticorpos contra a proteína 's'
na superfície viral (anti-HBs),
que protegem o hepatócito contra re-infecção (1). A
infecção crônica, que é freqüentemente esquecida, é a mais temida.
Enquanto a chance de cronificação é relativamente baixa (5%) em indivíduo
adulto, nos recém nascidos e na infância precoce (até 5 anos) a
chance de cronificação é de 90% e 30%, respectivamente. Ressalte-se,
ainda, que no adulto a infecção sintomática é mais frequente do que
nas crianças: 30% contra apenas 10% nas crianças (2). Há,
hoje, 350 milhões de indivíduos cronicamente infectados no mundo,
ocasionando 1 milhão de mortes/ano por hepatite B crônica, decorrentes
de cirrose ou câncer hepático. No Brasil, segundo dados de 2003
do Ministério da Saúde, 1% da população está cronicamente infectada
pelo HBV, perfazendo aproximadamente 1.8 milhão de indivíduos, o que
classifica o nosso país epidemiologicamente como área de endemicidade
moderada (1-8%). Na
infância precoce, a transmissão vertical ainda é um problema em nosso
meio, além da transmissão horizontal (nosocomial). Nos adultos,
são importantes a transmissão sexual e a devida ao uso de drogas injetáveis,
além de outras populações de risco, como hemofílicos, transplantados
e profissionais de saúde (2, 7). Hepatite
B Crônica
Define-se
HBV crônica pela presença, por pelo menos 6 meses, de antígeno HBs
e/ou presença de anti-HBc IgG ou
IgM e ausência de anticorpos anti-HBs.
A presença do antígeno HBe
ou do anticorpo anti-HBe é
variável, porém de fundamental importância no acompanhamento da
hepatite crônica, pois a presença do HBe
é um indicador indireto de replicação viral (já que esta proteína
viral é produzida pelo mesmo gene que produz a proteína do nucleocápside
do vírion do HBV) (2, 3). Em
geral, a negativação do HBe
e aparecimento de anti-HBe
definem uma melhora na evolução, com significativa queda na viremia.
Entretanto, há algum tempo se sabe que alguns vírus HBV podem sofrer
mutações que afetam apenas a produção do HBe
(mutação precore e mutação core), resultando em negativação
laboratorial do teste para presença do HBe.
Nestes casos, o HBe não desaparece como conseqüência de uma reação
imune do organismo do paciente, mas sim porque o vírus mutante é
incapaz de produzir apenas o HBe.
Nestes casos não haverá, portanto uma diminuição correspondente da
viremia acompanhando a negativação do HBe.
Mais recentemente, foi demonstrado que o número de pacientes com esta
mutação é maior do que originalmente pensado, atingindo até 70% dos
casos de hepatite crônica encaminhados para centros de referência
terciários nos EUA e perto de 30% dos casos na população geral.
Em um estudo recente, realizado em Ribeirão Preto, investigando apenas
a presença da mutação precore, mostrou-se que 38% dos 50 pacientes
portadores de hepatite crônica investigados possuiam esta mutação (3,
6). A
distinção precoce entre uma hepatite crônica HBe
negativo, com evolução favorável (portador inativo), de uma hepatite
crônica HBe negativo por mutação em HBe (evoluindo para hepatite
cronica ativa), irá determinar a necessidade de iniciar ou não o
tratamento (com interferon e/ou lamivudine) (3) Avaliação
Laboratorial da Hepatite Crônica
Além
dos testes imunológicos referidos e do painel bioquímico padrão para
avaliação da função hepática (TGO/ALT, TGP/AST, bilirrubinas, tempo
de protrombina), testes de Ácido
Nuclêico devem ser usados para:
Lembrar que:
Referencias Bibiográficas: 1-WHO Department of Comunicable Diseases Survaillance and Response (2002) Previsani, N and Lavanchi, D Hepatitis B WHO/CDS/CSRL/LYO/2002.2:HepatitisB www.who.int/emc 2-The EASL Jury (2003) International Concensus Conference on Hepatitis B Journal of Hepatology 38:553-540. 3-David Milich e T. Jake Liang (2003) Exploring the Biological Basis of Hepatitis B e Antigen in Hepatitis B Virus Infection Hepatology 38:1075-1086. 4-WHO statement No22 November 1996 Hepatits B and Breastfeeding Division of Child Health and Development http://cdrwww.who.ch 5-
Mommeja-Marin, H., Mondou, E., Blum, RM., and Rousseau, F. (2003)
Serum HBV DNA as a Marker of Efficacy during Therapy for Chronic HBV
Infection: Analysis and Review of the Literature Hepatology
37:1309-1319. 6-Rezende
RE, Fonseca BA, Ramalho LN, Zucoloto S, Pinho JR, Bertolini DA,
Martinelli AL. (2005) The precore mutation is associated
with severity of liver damage in Brazilian patients with chronic
hepatitis B. J Clin Virol. 32(1):53-9. 7-Ministerio
da Saúde (2003) Hepatites Virais. O Brasil está
atento Serie A. normas e Manuais Técnicos, p1-24
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