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AVALIAÇÃO DA INSUFICIÊNCIA CARDÍACA E O PEPTÍDEO NATRIURÉTICO TIPO-B INTRODUÇÃO
O
fator natriurético atrial (FNA) é um peptídeo circulante com
propriedades natriuréticas, diuréticas e vasodilatadoras descoberto
por A. J. de Bold em 1980. A família dos peptídeos natriuréticos é constituída pelo fator natriurético atrial (FNA), pelo peptídeo natriurético cerebral (PNB) e pelo peptídeo natriurético tipo C (PNC). Eles participam da homeostase cardiovascular e da modulação do crescimento celular. O RNAm do fator natriurético atrial foi encontrado em vários tecidos, sendo mais abundante nos átrios cardíacos. O fator natriurético atrial e o peptídeo natriurético tipo-B são produzidos e liberados, normalmente, pelas células do músculo atrial. Porém, em condições anormais, como na doença estrutural miocárdica, o peptídeo natriurético tipo-B parece ser produzido em maior quantidade nos ventrículos. Existe
um precursor do BNP que é um polipeptídeo de peso molecular mais alto,
o proBNP. Ensaios desenvolvidos para o fragmento N-terminal do proBNP (
NT-proBNP) têm se mostrado tão eficazes como o BNP para evidenciar
disfunção ventricular. O metabolismo e a liberação do proBNP e do
BNP são semelhantes. Estes
peptídeos juntos, contrabalaçam os efeitos do sistema
renina-angiotensina-aldosterona. Suas concentrações plasmáticas
aumentam em resposta à distensão do tecido atrial e parecem
antagonizar os efeitos da angiotensina II no tônus vascular, a secreção
de aldosterona, a reabsorção de sódio e o crescimento celular. EFEITOS
CARDIOVASCULARES DOS PEPTÍDEOS NATRIURÉTICOS A
nível cardiovascular estes peptídeos ocasionam:
UTILIDADES
DA DOSAGEM DO PEPTÍDEO NATRIURÉTICO TIPO-B (PNB) 1. O PNB é um novo teste laboratorial para auxílio no diagnóstico e seguimento da insuficiência cardíaca. Segundo estatística americana, a insuficiência cardíaca afeta mais de 3 milhões de pacientes nos Estados Unidos, sendo responsável por cerca de 200.000 mortes por ano e onde 400.000 pessoas desenvolvem insuficiência cardíaca, pela primeira vez, a cada ano. 2. O PNB é um importante exame laboratorial de rastreamento para pacientes com queixas de dispnéia em serviços de emergência. Estudos multicêntricos demonstraram sua boa acurácia para diferenciar pacientes com dispnéia aguda com insuficiência cardíaca (IC) de pacientes com outras causas de dispnéia. Nestes estudos o PNB apresentou uma sensibilidade de 90%, uma especificidade de 76% e uma acurácia de 83%. 3. Acredita-se que cerca de 40% dos pacientes com IC apresentam função sistólica preservada, porém com disfunção diastólica. Com a idade a prevalência de IC por disfunção diastólica aumenta. Os níveis de PNB não podem fazer o diagnóstico diferencial entre disfunção sistólica e diastólica. Mas, um PNB normal, com função sistólica normal, pode descartar disfunção diastólica clinicamente significativa. Assim, possivelmente, um PNB normal poderia dispensar a realização do ecocardiograma. Um PNB elevado em paciente com IC e função sistólica normal sugere disfunção diastólica. 4. O PNB pode ser utilizado como uma ferramenta útil no monitoramento hospitalar de pacientes com IC severa e permitir uma “terapia otimizada ambulatorial” sem o auxílio do cateter de Swan Ganz. Vários estudos sugerem que a “vasodilatação otimizada” para normalizar as pressões de enchimento ventricular esquerdo e a resistência vascular sistêmica na IC e com ventrículo dilatado diminuem a mortalidade. Entretanto, esta conduta requer cuidados em ambiente de terapia intensiva e um procedimento invasivo. Um exame de sangue que se correlacione com as alterações da pressão de enchimento ventricular esquerdo e a pressão capilar pulmonar durante o monitoramento da IC seria de grande ajuda. Os pacientes que não tiverem sucesso com a “vasodilatação otimizada” podem ser identificados com as dosagens do PNB e reavaliados. 5. Existem evidências demonstrando a correlação entre fibrilação atrial e o PNB, sendo que após a cardioversão os níveis de PNB diminuem. 6. Os níveis séricos de PNB estão associados com risco aumentado de eventos cardíacos em pacientes com síndrome coronariana aguda, acrescentando informação prognóstica independente de outros marcadores. 7. O PNB pode ser empregado para rastrear a presença de disfunção ventricular, precocemente, em pacientes diabéticos assintomáticos. 8.
Vários estudos demonstraram que um nível elevado de PNB, após infarto
do miocárdio, está relacionado com infartos mais extensos, menor fração
de ejeção, risco de IC e morte. METODOLOGIA E VALORES REFERÊNCIAIS Entre as metodologias utilizadas estão a electro-quimioluminescência e o imunoensaio por fluorescência. Quanto aos valores de referência, alguns estudos usam até 100 pg/mL e outros estratificam estes valores com a faixa etária e o sexo dos pacientes. Os valores encontrados em normais do sexo feminino são maiores que os do sexo masculino. Acreditamos que para melhorar a acurácia do BNP, outros estudos deverão ser realizados para se estabelecer valores de referência em normais para ambos os sexos e nas várias faixas etárias.
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