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Nº
135 Jun - 2004
PESQUISA
DE HPV POR CAPTURA HÍBRIDA
Segundo dados do Instituto Nacional
do Câncer, estima-se que no Brasil o câncer do colo do útero
seja o terceiro mais comum na população feminina. Para 2003, as
estimativas sobre incidência e mortalidade previam 16.480 novos
casos e 4.110 óbitos.
Nos EE.UU., segundo a American
Cancer Society (ACS) houve uma redução de 70% na mortalidade por
câncer do colo do útero nos últimos 50 anos, após a introdução
do teste de Papanicolaou. O sucesso deste teste levou a uma
expectativa irreal de que ele seria perfeito; porem, sua
sensibilidade na detecção da neoplasia intra-epitelial cervical
de alto grau (CIN II/III) está na faixa de 70-80%, e na detecção
de lesão intra-epitelial escamosa a sensibilidade é semelhante,
de 68,1%.
Após a comprovação da relação
entre o Papiloma Vírus Humano (HPV) e o câncer cervical, e dos
resultados dos estudos que sugeriram que aproximadamente 15% das
mulheres com Papanicolaou negativo, mas HPV positivas, terão
alterações na citologia dentro dos próximos cinco anos, a ACS
divulgou suas diretrizes recomendando o uso do teste HPV-DNA de
Alto Risco associado a citologia (com intervalo de 3 anos, no caso
de ambos os testes negativos), para o rastreamento primário em
mulheres com 30 anos ou mais. Em julho de 2003, o The American
College of Obstetricians and Gynelocologists fez a mesma recomendação.
A
importância da pesquisa do HPV de Alto Risco vem sendo ressaltada
pelas entidades internacionais ligadas ao câncer cervical. A
realização do teste de DNA-HPV de Alto Risco, além de ser
suficiente para a prevenção deste tipo de câncer, traz como
vantagem extra a diminuição dos custos, pois a inclusão
da sonda A (Baixo Risco) alem de encarecer bastante o custo do
exame, não traz nenhum benefício adicional à paciente.
Com o uso cada vez mais freqüente
da Captura Híbrida no diagnóstico clínico, surgem dúvidas
relacionadas ao seu emprego. Para esclarecê-las, o Prof. Dr.
Sergio Mancini Nicolau, diretor do Instituto de Pesquisa em
Oncologia Ginecológica (IPOG), preparou um resumo das principais
dúvidas e respostas.
1)
Por que realizar somente a pesquisa de HPV grupo de alto risco
oncogênico ?
Porque somente os tipos de HPV do
grupo de intermediário/alto risco estão relacionados com o
desenvolvimento de lesão de alto grau e câncer.
A Captura Híbrida para HPV de Alto Risco pesquisa os 13
principais tipos de HPV relacionados ao câncer cervical e responsáveis
por cerca de 99% dos casos.
2)
Qual a sensibilidade para detecção de lesões de alto grau do
teste de Captura Híbrida ?
O teste de Captura Híbrida para
HPV grupo de Alto Risco associado à citologia apresenta
sensibilidade para detecção de lesão de alto grau, entre 87 e
100%. Sendo que na maior parte dos trabalhos científicos a
sensibilidade é superior a 95%.
3)
Quais são as indicações clínicas para a pesquisa de HPV grupo
de alto risco por Captura Híbrida ?
-
Resultado citológico de
significado indeterminado (ASCUS);
-
Screening primário associado ao
Papanicolaou para
mulheres com 30 anos ou mais;
-
Acompanhamento de pacientes com
exame histopatológico classificado como lesão de baixo grau;
-
Discordância entre colposcopia,
citologia e histopatologia;
-
Controle pós-tratamento.
4)
Como deve ser a coleta em pacientes do sexo masculino ?
Sugere-se a coleta de um escovado
amplo do pênis e uretra. Procedimento: Inserir um cotonete com
lidocaína a 2% sem vaso constritor na uretra distal (2 cm finais)
e deixar por cerca de cinco minutos, Enquanto isso, umedecer a
pele do pênis com solução fisiológica e com uma escova
cervical extra, realizar o escovado da glande, sulco balânico,
prepúcio interno e externo e corpo do pênis.
Introduzir a escova no líquido de transporte,
movimentando-a bem (para lavá-la e para desprender as células) e
desprezá-la. Retirar o cotonete com lidocaína da uretra e
introduzir a escova do kit no canal uretral, cerca de 1,5 cm (porção
das cerdas), e rodá-la cerca de 3 a 5 vezes. Introduzir a escova
no meio de transporte, quebrar a haste e tampar o tubete.
5)
É necessário colher amostra de colo, vagina e vulva em tubetes
separados ?
Não. Alguns autores indicam apenas
a coleta cervical e outros uma coleta mais ampla de colo, vagina e
vulva no mesmo tubete. Isso porque, considera-se a infecção por
HPV uma DST que atinge o trato genital inferior como um todo,
sendo a Captura Híbrida utilizada para confirmar a infecção e
determinar a presença ou ausência de tipos virais do grupo de
alto risco oncogênico. Já as lesões HPV induzidas, no entanto,
devem ser devidamente localizadas e identificadas, sendo, para
este fim, utilizados outros métodos como a Colposcopia e o exame
Histopatológico das lesões. Segundo dados do IPOG, quando a
coleta é realizada em três tubetes separados (colo, vagina e
vulva) há concordância de resultados na maior parte dos casos.
Em 517 pacientes, observamos 295 casos (57%) de resultados
negativos para os três locais de coleta. Dentre as 222 pacientes
(43%) com HPV, houve concordância entre os resultados para os três
locais de coleta em 162 casos (73%).
6)
Após receber um resultado positivo para HPV grupo de alto risco
é necessário realizar a pesquisa do tipo viral ?
Não. Clinicamente a conduta deve
ser a mesma independente do tipo viral, pois são todos
considerados oncogênicos.
7)
Os valores de RLU/PC têm valor prognóstico de desenvolvimento de
lesão de alto grau e câncer cervical ?
Os valores elevados estão
relacionados com a incidência de anormalidades citológicas, ou
seja, em média pacientes com NIC apresentam valores de RLU/PC
maiores que aquelas com citologia normal. Já a correlação entre
os valores de RLU/PC e o risco futuro de progressão da doença
ainda não está devidamente esclarecida. Em um estudo com mais de
20.000 mulheres, observou-se que à curto prazo (até 9 meses),
quanto maior o valor de RLU/PC, maior também o risco de progressão
da doença, sendo que valores baixos de RLU/PC, entre 1 a 10, não
excluem o risco de progressão. À longo prazo (entre 9 meses a 10
anos), os valores de PLU/PC parecem não estar relacionados com o
risco de progressão, devendo-se considerar, portanto, a presença
de infecção persistente por HPV de alto risco como o principal
fator de risco para desenvolvimento de lesão de alto grau.
8)
Qual o intervalo de tempo recomendado para a coleta da Captura Híbrida
para HPV após o tratamento ?
Após o tratamento, recomenda-se um
intervalo mínimo para a coleta entre 6 meses a 1 ano, É
importante lembrar que os tratamentos disponíveis até o momento
são voltados para a erradicação da lesão HPV induzida, mas não
para a eliminação da infecção propriamente dita. Assim, é
possível que mesmo após o tratamento, a Captura Híbrida
continue apresentando resultado positivo.
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