Nº 132  Jan / Fev - 2004

 

EFEITOS DO EXERCÍCIO NOS RESULTADOS DOS TESTES DE LABORATÓRIO

 

Vários médicos, como uma das recomendações destinadas a promover a saúde dos seus paciente, passaram a preconizar a adoção de estilos de vida no qual as atividades físicas ocupam um papel importante. Os efeitos benéficos sobre a expectativa de vida, obesidade, hipertensão e doença cardíaca coronariana são bem conhecidos. Este aconselhamento tem levado indivíduos, que outra forma seriam sedentários, a adotarem regimes de exercícios físicos regulares. 

Dependendo da intensidade, duração e freqüência, estas atividades podem afetar os resultados de uma variedade de testes de laboratório. Para o clínico, é importante conhecer os efeitos fisiológicos do exercício na composição dos líquidos orgânicos, para identificar quando o limiar patológico foi cruzado.

Estes efeitos estão ligados à duração e intensidade da atividade, e podem ser categorizados em dois grupos: 1) efeitos de curta duração causados por exercícios extenuantes, como os encontrados após provas de resistência, como é o caso da maratona, e 2) efeitos de longa duração ocasionados por programas de exercício físico regular. Freqüentemente é difícil separar estes dois efeitos, porque os participantes de provas de resistência passam por programas de treinamento prévio.

 

EFEITOS DE CURTA DURAÇÃO

Amostras obtidas antes e logo depois de provas de resistência revelam as variações listadas no

quadro:

 

          

 

Há alguns relatos de morte cardíaca súbita em corredores de maratona. Esses corredores têm hiponatrenia grave sem hipovolemia, atribuída à elevada ingestão de água pura, que pode ocasionar encefalopatia hiponatrêmica e edema cerebral agudo. 

 

EFEITOS DE LONGA DURAÇÃO

 

Os relatos de literatura em participantes de programas de exercícios regulares indicam os seguintes efeitos nos testes de laboratório:  

 

                                    

 

COMENTÁRIOS

 

Os exercícios diários regulares têm mostrado elevar o HDL, mas os seus efeitos nos outros lipídios e nos marcadores cardíacos são inconsistentes. A atividade física intensa tipo maratona, pode, ao contrario, ocasionar prejuízos cardíacos transitórios ao invés de benefícios. As elevações da cretinoquinase, cretinoquinase-MB, transaminases e mioglobina, são indicação de rabdomiolise do músculo esquelético decorrente do exercício. As pequenas elevações das troponinas T e I em alguns atletas após competições de maratona, apesar de sugerirem disfunção cardíaca, não têm confirmação por estudos de cintilografia e possuem explicação ainda indeterminada.

O exercício parece deslocar o balanço entre formação de coágulo e fibrinólise, para a fibrinólise:  promove liberação de plasminogênio do endotélio, incrementa a conversão de plasminogênio em plasmina promovendo a dissolução do coágulo, o que resulta em aumento do d-dímero que é o produto da degradação da fibrina. Se os exercícios moderados podem prevenir as modificações da fibrinólise relacionadas com a idade, ainda está sob investigação.

No exercício moderado, a resposta ao estresse causa aumento da glicemia, que estimula a secreção de insulina. No exercício vigoroso pode ocorrer hipoglicemia e aumento da tolerância à glicose.

Os aumentos da uréia e creatinina secundários ao exercício são transitórios e devidos a desidratação e a redução da perfusão renal. O aumento na produção de lactato, que compete com o ácido úrico na excreção renal, ocasiona elevação da uricemia.

A leucocitose perdura poucas horas e deve ser devida a demarginação induzida pelo aumento do fluxo sanguíneo.

Em alguns poucos pacientes selecionados pode ser encontrado aumento no PSA por até 24 horas depois de exercícios.

Hematúria e proteinúria após exercício são achados freqüentes e devidos a alteração hemodinâmica temporária da função do nefro.