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Nº
129 Jul / Ago - 2003
INTERPRETAÇÃO
DOS TESTES VIROLÓGICOS PARA HEPATITE C
A
partir do primeiro exame de laboratório para detectar o anticorpo
anti-HCV, cujo advento ocorreu em 1990, vários outros vem sendo
desenvolvidos para o diagnóstico da hepatite C.
Hoje,
o diagnóstico virológico e a monitoragem desta hepatite estão
baseados em duas categorias de testes: 1) testes indiretos, que
detectam os anticorpos específicos contra o HCV, como o EIE
(enzima imuno ensaio), e 2) testes diretos, que podem detectar,
quantificar ou caracterizar os componentes da partícula viral do
HCV, como o RNA do HCV e o antígeno do core.
Os
marcadores do HCV e sua cinética
Quatro marcadores virológicos do
HCV podem ser usados no manuseio de pacientes infectados: 1)
genótipo do HCV: é uma característica intrínsica das
cadeias do HCV transmitido, o qual forma 6 tipos (numerados de 1 a
6) que são sub-divididos em um grande número de sub-tipos (1a,
1b, 1c, etc). A determinação do genotipo, bem como a quantificação
do RNA, são hoje revervadas para adequar o tratamento a cada
indivíduo e para determinar a sua eficácia. 2) HCV RNA :
a presença de RNA do HCV é um marcador confiável de replicação
ativa do HCV e é detectável dentro de 1 a 2 semanas depois da
contaminação. Seus níveis aumentam para atingir um pico antes
de desaparecer, quando a infecção se resolve espontaneamente. Em
contraste, na maioria dos pacientes que evoluem para a forma crônica,
o declínio do HCV RNA é lento até estabilizar, podendo
ocasionalmente desaparecer para reaparecer depois de alguns dias
ou semanas, quando então atinge um platô. 3) antígeno do
core: a presença do antígeno do core possui boa correlação
com os níveis do HCV RNA, sendo detectável cerca de 1 a 2 dias
depois do aparecimento deste. 4) anticorpos anti-HCV: A
“janela sorológica” entre a infecção pelo HCV e a
detectabilidade dos anticorpos específicos varia de pessoa a
pessoa. Com os ensaios correntes (EIE), a soro-conversão ocorre,
em média, 7 a 8 semanas depois do início da infecção. Nos
pacientes com resolução espontânea o anti-HCV pode persistir
por toda a vida, ou diminuir gradualmente até o desaparecimento
depois de alguns anos. Nos pacientes que desenvolvem infecção crônica
o anti-HCV persiste indefinidamente, embora possa tornar-se
indetectável (pelos métodos correntes) em pacientes sob hemodiálise
ou naqueles com profunda imunodepressão.
Os
testes diagnósticos
A
maioria dos clínicos apóia o seu diagnóstico baseado somente em
testes de rastreio como o anti-HCV por EIE com resultado reagente,
e não confirma o diagnóstico com testes sorológicos mais específicos
como o RIBA (ensaio imunoblot recombinante). De fato, os
resultados falsos positivos anti-HCV são raros porque a maioria
das pessoas que estão sendo testadas tem evidência de doença
hepática, e a sensibilidade e especificidade deste teste de
rastreio são altas. Contudo, entre a população de baixa prevalência
(menor que 10%) de infecção pelo HCV, a interpretação de um a
resultado reagente deve ser feita com ponderação porque a
porcentagem de falsos positivos é elevada, oscilando entre 15% e
60%!
Os
testes confirmatórios utilizados atualmente no IACS são o RIBA
versão 3.0 (ensaio imunoblot recombinante com antígenos HCV e
peptídeos sintéticos) e o HCV RNA (amplificação do RNA viral
pela técnica do PCR [reação em cadeia da polimerase]).
Com a
finalidade de minimizar a necessidade de realizar testes
suplementares e reduzir custos, o Centers for Disease Control and
Prevention (CDC), em seu relatório do último mês de fevereiro,
recomenda que ao se relatar o resultado do teste de rastreio (EIE)
seja fornecida a relação entre a leitura quantitativa da amostra
do paciente e a leitura do cut off da reação (leitura do
paciente/leitura do cut off). Este índice possui elevada
probabilidade de refletir o verdadeiro estado dos anticorpos do
paciente: quando resulta maior que 3,8 é altamente preditivo de
um resultado verdadeiramente positivo em mais de 95% dos casos,
independente da prevalência da infecção na população
estudada, e fica a critério do médico assistente fazer ou não
testes confirmatórios.
INTERPRETAÇÃO
DOS RESULTADOS
Considera-se
o resultado HCV positivo quando:
1.
o anti-HCV (EIE) for reagente
e RIBA reagente ou HCV RNA positivo. A presença do
anti-HCV positivo não pode distinguir entre uma infecção
passada ou presente, daí a necessidade de testes adicionais para
a presença do vírus (HCV RNA) e funções hepática
(transaminases, etc). O resultado do HCV RNA positivo indica infecção
ativa, atual.
2.
o anti-HCV (EIE) for reagente e
RIBA reagente e HCV RNA negativo. Existe a
possibilidade de pacientes com infecção ativa apresentarem-se,
transitoriamente, com o vírus indetectável na fase aguda da
hepatite C. Ademais, observou-se positividade intermitente do HCV
RNA em algumas pessoas com infecção crônica. Assim, o
significado de um único resultado negativo do HCV RNA, em
especial naqueles com resultado prévio positivo, fica dependente
de confirmação. Um resultado negativo isolado de HCV RNA
negativo não diferencia a viremia intermitente da infecção resolvida.
Considera-se
o resultado do HCV negativo, quando:
1. o anti-HCV de triagem (EIE) for não
reagente ou RIBA não reagente. Habitualmente
considera-se este indivíduo como não infectado, mas, falsos
negativos ocorrem nas primeiras semanas de infecção antes do
anticorpo ser detectável. Se existir esta suspeita, o HCV RNA
deve ser feito, pois é detectado nas duas primeiras semanas após
a exposição ao vírus.
Estes mesmos resultados podem também
ser encontrados nos indivíduos em que a infecção já se
resolveu e o anti-HCV caiu abaixo dos níveis detectáveis.
Em casos de infecção crônica
pelo HCV , incluindo aqueles imunocomprometidos, o anti-HCV pode
ser persistentemente negativo e o HCV RNA a única evidência de
infecção.
2.
o anti-HCV de triagem (EIE) for
reagente e RIBA não reagente. Este caso é
interpretado como teste de triagem
falso positivo.
3.
o anti-HCV de triagem (EIE) for reagente e
RIBA não reagente e HCV RNA negativo. Este caso
também é interpretado como teste de triagem falso positivo.
Considera-se
o resultado HCV indeterminado, quando:
o
teste de triagem (EIE) for reagente e o RIBA indeterminado.
Corresponde, na maioria das vezes a um falso positivo do EIE,
principalmente nos pacientes com baixo risco de infecção pelo
HCV. Nestes casos é necessário a coleta de nova amostra para
repetir o anti-HCV , ou fazer diretamente o HCV RNA. Este mesmo
resultado pode ser encontrado nas pessoas recentemente infectadas
ou naquelas cronicamente infectadas. Em ambos casos deve ser feito
o HCV RNA.
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