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Nº
128 Jun - 2003
OS
LINFÓCITOS ATÍPICOS
Os
linfócitos
Os
linfócitos e os plasmócitos foram descritos, respectivamente, em
1774 e 1875. Não obstante terem sido os anticorpos descritos em
1890, por von Behring e Kitassato, foi só a partir de 1960, com a
“Teoria da Expansão Clonal”, de McFarlane-Burnet, que as funções
linfocitárias começaram a ser desvendadas.
Os
linfócitos constituem um agrupamento heterogêneo de células
cujas características morfológicas comuns o distingue dos outros
leucócitos. Três grupos de células compartilham essa
morfologia, as células derivadas do timo (T), as células
derivadas do homólogo humano da bursa das aves (B) e as células
natural killer (NK). Dentro destes subgrupos, os linfócitos podem
ser subdivididos de acordo suas moléculas de superfície e função
biológica, porém sempre conservando a morfologia, em: Linf B CD5
e B1, Linf T ab: CD8 e CD4 (Th1, Th2, T regulador); gd;
CD45RoLo; NK e NK1.1.
Os linfócitos B se transformam em
plasmócitos, células que atuam na defesa humoral do organismo
através da produção dos anticorpos, sendo que uma pessoa pode
sintetizar de 10 a 100 milhões de diferentes moléculas de
imunoglobulinas, cada uma advinda de um diferente clone de linfócitos
B, com sua especificidade distinta. A resultante eventual é
depuração e degradação da substância estranha.
Os linfócitos T atuam na defesa
celular do organismo, através da secreção de citoquinas, de
outros produtos tóxicos ou da indução direta de morte celular
programada. Existem 25 a 100 milhões de diferentes clones de linfócitos
T num indivíduo, cada clone com seu diferente Receptor T, específico
para um diferente antígeno. Este receptor reconhece pequenos
fragmentos peptídicos do antígeno, os quais devem geralmente ser
apresentados por uma célula apresentadora do antígeno. O sinal
gerado pela ligação do Receptor da Célula T ao seu antígeno
especÍfico é modificado pela simultânea ligação de outros
co-receptores para moléculas acessórias. No caso da ligação
específica do antígeno ao Receptor de Célula T, a resultante
varia desde a ativação imune do linfócito com proliferação e
secreção de citoquinas, para uma tolerância específica ou até
morte celular programada (apoptose).
Enquanto os linfócitos B e T
participam da resposta imune adaptativa, os linfócitos NK
participam da resistência inata a patógenos intracelulares e células
malignas. São capazes de responder rapidamente, embora não
especificamente, tendo um efeito modulador na adaptação imunitária
e na hematopoiese.
Os
linfócitos atípicos
O linfócito atípico é um leucócito
não maligno que pode ser encontrado no sangue periférico em
resposta a alguns estímulos antigênicos. Nos locais de inflamação
ele atua como os linfócitos normais, desempenhando um papel na
resposta imune, tanto na primária quanto na auxiliar.
Ele apresenta variações nos detalhes morfológicos e nas
características dos marcadores de superfície, mostrando
constituir uma mistura heterogênea de tipos celulares.
Em algumas situações ele é
facilmente identificado como sendo uma célula intermediária
entre o linfócito e o plasmócito, oportunidade na qual pode ser
denominado linfócito plasmocitóide ou plasmócito linfocitóide.
Em outras, a morfologia é variável
caso a caso: o tamanho é aumentado, a forma pode mostrar
periferia angulosa com aspecto recortado ou poliédrico,
citoplasma abundante variando desde azul escuro até cinza pálido,
com condensação da basofilia na periferia da célula e eventual
microvacuolização; o núcleo de forma variada pode ter localização
excêntrica, eventual imagem de nucléolo, lobulação, e
cromatina fina e delicada. Estudos anteriores indicavam ser estas
células tanto do tipo B quanto T. Os estudos mais recentes
sugerem que estes linfócitos atípicos são linfócitos T
ativados produzidos em resposta a linfócitos B infectados.
A histoquímica e a microscopia
eletrônica são consistentes em demonstrar síntese de DNA nessas
células.
Causas
de linfócitos atípicos
Os detalhes característicos dos
linfócitos atípicos são facilmente identificados ao microscópio
pelo examinador experimentado, mas com a difusão do uso dos
contadores eletrônicos automáticos estas células podem estar
sendo sub-relatadas. Deve-se ressaltar contudo, que a presença e
o número de linfócitos atípicos são informações úteis e em
algumas situações vitais, pois podem orientar o diagnóstico
para uma patologia particular, como é o caso da síndrome
mononucleose-símile (mononucleose, citomegalovirose, HIV, herpes
simples, rubéola, toxoplasmose, adenovirose e hepatite A e B).
As várias condições nas quais os
linfócitos atípicos podem ser encontrados estão no quadro
abaixo:
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INFECÇÃO
Adenovírus
Caxumba
Citomegalovírus
Dengue
Febre hemorrágica
Febre Q
Hepatite A e B
Herpes simples
Herpes zoster
HIV 1 e 2
Influenza
Listeria monocitogenes
Micoplasma pneumoniae
Riquettsia
Rubéola
Sarampo
Sífilis
Toxoplasma
Tuberculose
Varicela
Vírus Epstein-Barr
DROGAS E REAÇÕES TÓXICAS
Ácido para amino salicílico
Arsenicais orgânicos
Chumbo
Diaminofenilsulfona
Fenotiazina
Hidantoina
Trinitrotolueno
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SÍNDROME PÓS-PERFUSÃO
IMUNIZAÇÕES
RADIAÇÃO
CAUSAS HORMONAIS
Deficiência de glicocorticóides
Doença de Addison
Estresse
Pan-hipopituitarismo
Tireotoxicose
DISTÚRBIOS AUTOIMUNES
Agamaglobulinemia
Anemia hemolítica auto-imune
Artrite reumática
Hepatite crônica
Lupus eritematoso sistêmico
Púrpura trombocitopênica
DOENÇA MALIGNA
Hodgkin
DISTÚRBIOS IDIOPÁTICOS
Encefalomielite disseminada aguda
Neuropatia carcinomatosa
Miastenia gravis
Sarcoidose
Síndrome de Guillain-Barré
REJEIÇÃO DE ENXERTO
Renal
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