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Nº
126 Mar/Abr - 2003
DIAGNÓSTICO
LABORATORIAL DA CITOMEGALOVIROSE
O citomegalovirus (CMV)
é atualmente considerado a causa mais comum de infecções congênitas
em paises desenvolvidos. Nos Estados Unidos 0,5 a 2,2% das crianças
são afetadas in útero. A infecção primária pelo CMV, em geral, não
é diagnosticada por ser ou assintomática ou associada a sintomas
muito discretos, mas, uma história clínica cuidadosa pode
ser útil para levantar esta suspeita ao detectar sintomas clínicos
menores como mal estar, fadiga, dor de cabeça e mialgia.
Transmissão
Vertical
A
transmissão vertical do CMV pode ocorrer tanto após a infecção
primária da gestante, como por uma recorrente devido a reativação
do vírus que causou a infecção primária ou, ainda, por uma
reinfecção com outra cepa do vírus.
Como regra geral a viremia na
mulher ocorre na infecção primária e é ausente ou indetectável
na infecção recorrente em mulheres imunocompetentes, mas
comum nas imunocomprometidas.
Em seguida a uma infecção primária,
que ocorre em 1 a 4 % das mulheres susceptíveis, a infecção
pode ser transmitida para 20 a 40% dos fetos.
Dos fetos infectados, 15% podem ter
doença clínica aparente, sendo que 90% deles podem apresentar
seqüelas e 10% desenvolvimento normal. Dos 85%
infectados assintomáticos 5 a 15% podem apresentar seqüelas
e 85 a 95% desenvolvimento normal.
A
infecção primária pelo CMV é transmitida para o feto em
qualquer época da gestação e há maior freqüência e maior
chance de problemas fetais do que na infecção recorrente; e,
quando ocorre num estágio precoce da idade gestacional (menos que
27 semanas), está relacionada a um quadro mais grave. Trabalhos
recentes mostram que a transmissão ocorre em 50%, 40% e 70% dos
fetos após a infecção materna respectivamente no primeiro,
segundo e terceiro trimestres da gestação.
Nas mulheres com infecção
recorrente a incidência de doença clinicamente aparente ou de
seqüelas no RN é muito baixa (0 a 1%). Apesar de existir
imunidade materna a transmissão do vírus para o feto pode
ocorrer, mas a possibilidade de causar-lhe danos é menor. Na
realidade, a verdadeira freqüência e impacto clínico da infecção
congênita pelo CMV nas infecções recorrentes precisa ser melhor
estudada.
Sorologia
O
diagnóstico da infecção primária é simples quando a
soroconversão é documentada, isto é, quando há o encontro de
anticorpos do tipo IgG no soro de uma mulher grávida com
resultado anterior negativo. Isto normalmente é difícil de se
constatar por falta de um programa de triagem. O que se encontra
é, em geral, a presença dos anticorpos IgG no sangue de uma
mulher grávida na ausência de um teste anterior. Nestes casos
torna-se necessário fazer a pesquisa dos anticorpos do tipo IgM.
Anticorpos
anti-CMV do tipo IgM
Os
testes hoje disponíveis para pesquisa de IgM anti-CMV podem gerar
resultados falsamente negativos
(por competição com IgG) e, mais freqüentemente,
falsamente positivos (pacientes com infecções por outros
Herpesvirus como o Epstein-Barr, doenças autoimunes, fator reumatóide,
e os tratados com radioimunoterapia).
Além
destas limitações concernentes a técnica, a cinética da
resposta imune varia entre as pessoas. De uma maneira geral, níveis
máximos de IgM podem ser detectados no início da infecção (1 a
2 meses – fase aguda) após o qual os títulos caem abruptamente
(fase de convalescença) ficando negativos dentro de seis meses.
No entanto, em alguns pacientes a negativação só ocorre em 12
ou mais meses
Assim, na mulher grávida, os
resultados positivos para o IgM-CMV cujos títulos caem
rapidamente em amostras mensais, são sugestivos de infecção
primária; enquanto que o encontro de níveis baixos de IgM-CMV
que caem vagarosamente são mais sugestivos de infecção primária
que ocorreu vários meses atrás, às vezes, antes mesmo da
gravidez. Desse modo, como a interpretação do teste IgM pode
ter vários significados quando analisado isoladamente, a
alternativa adequada é buscar o auxílio do teste da avidez da
IgG.
Teste
da avidez da IgG
A presença de um teste IgM-CMV
positivo na ausência de história compatível, induz a utilização
do teste da avidez da IgG. Este exame se baseia na observação de
que a IgG de baixa avidez é encontrada no início da infecção
e, a medida que a doença evolui o anticorpo IgG anti-CMV, mais
maduro, apresenta uma avidez cada vez maior pelo antígeno.
Valores médios em amostras
colhidas com três meses ou menos do início da infecção primária
têm avidez abaixo de 30%, enquanto que a avidez em amostras de
pessoas com infecção antiga são, em geral, maiores que 70%.
Assim a presença de IgM de título
alto junto com índice de avidez do IgG-CMV baixo é bastante
sugestivo de infecção primária recente (menos que três meses).
Um índice de avidez alto (> 70%) no primeiro trimestre da
gestação pode, com alguma segurança, ser considerado indicador
de infecção passada. Índice de avidez intermediário (entre 30
e 70%) ou mesmo alto, depois do primeiro trimestre não excluem
infecção primária adquirida durante a gravidez.
Biologia
molecular
Quando os testes sorológicos
sugerem infecção primária, pode-se utilizar a pesquisa do DNA
viral por PCR no líquido amniótico.
Este é um teste de alta
sensibilidade e especificidade mas, também, sujeito a resultados
falsos positivos e falsos negativos. A época ideal para fazer o
exame é após a 21a semana de gestação, quando a
sensibilidade é de 72%. Antes disto a sensibilidade é bem menor.
Após a infecção primária sintomática na gestante, o PCR do líquido
amniótico deve ser feito depois de sete semanas do aparecimento
dos sintomas e sinais.
Resultados falsos positivos são
ainda matéria de debate. Há trabalhos que referem resultados
positivos em crianças que não apresentam a infecção,
provavelmente porque o PCR é muito sensível e pode detectar
carga viral muito baixa, insuficiente para causar a doença.
Trabalhos mais recentes indicam que o DNA-CMV quantitativo por PCR
no líquido amniótico é adequado para o diagnóstico. Foi
selecionado um nível > 105 genomas equivalentes/mL
como o cut off para indicar grande probabilidade de doença sintomática
ou assintomática; enquanto que valores abaixo daquele nível estão,
em geral, associados a infecção congênita assintomática.
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