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Nº 119 Abr/Mai - 2002
PROTEÍNA
C REATIVA ULTRA - SENSÍVEL (I)
Um
novo e forte fator preditivo de doença cardiovascular Acreditava-se
que a doença arterial coronariana (DAC) era simplesmente o resultado
da deposição de lipídios na parede arterial. Hoje, esta doença é vista
como um processo que envolve múltiplos elementos, com a inflamação crônica
desempenhando um papel significativo. Foi
demonstrado que a mudança da angina estável para angina instável está
associada a elevações nos níveis plasmáticos da proteína C reativa,
soro amilóide A e interleucina 6, os quais são indicadores de uma resposta
inflamatória sistêmica. O endotélio exerce efeitos antitrombóticos e
vasodilatadores na parede vascular. Quando as células endoteliais são
expostas a citoquinas pró-inflamatórias, a atividade procoagulante é
induzida. Isto conduz a expressão de moléculas aderidas à superfície
celular e impróprio relaxamento vascular endotélio-dependente. O resultado
destas funções alteradas das células endoteliais é a promoção dos eventos
agudos que levam a aterosclerose vascular. A
proteína C reativa (PCR), que é um bem estabelecido marcador de inflamação,
aflorou nestes últimos tempos como um poderoso preditor de doenças cardiovasculares
, em especial de DAC. Isto foi possível a partir do desenvolvimento
dos novos ensaios de laboratório que permitem quantificar baixas concentrações
de PCR que anteriormente eram vistas como insignificantes, a chamada
Proteína C Reativa ultra-sensível (PCRus). Predição
de eventos coronarianos futuros Embora tenha sido demonstrado o valor prognóstico nos síndromes coronarianos agudos, o uso mais promissor da PCRus aparenta ser no estabelecimento da prevenção primária. A
PCRus preenche a maioria dos requerimentos necessários para ser utilizada
como um novo fator preditivo de DAC porque: 1.
Os resultados dos estudos de prospecção baseados em populações de indivíduos
inicialmente sãos tem sido consistentes. 2.
A associação entre PCRus e eventos coronarianos futuros é forte. Comparada
com outros marcadores inflamatórios e com parâmetros lipídicos, como
variável isolada a PCRus mostrou ser o melhor preditor de eventos coronarianos
futuros. 3.
A associação entre PCRus e risco coronariano tem sido demonstrado ser
independente de uma ampla variedade de potenciais parceiros em estudos
prospectivos. 4.
Foi demonstrado que o uso associado da PCRus com a dosagem do colesterol
e, em especial, com a relação colesterol total/colesterol HDL, melhora
dramáticamente a predição do risco coronariano. 5.
A PCRus é relativamente estável e pode ser medida no soro ou plasma
com metodologias bem padronizadas e de baixo coeficiente de variação. 6. A reprodutibilidade ao longo do tempo é, contudo, apenas moderada, o que é claramente esperado de uma proteína que é parte da resposta de fase aguda e que pode aumentar inespecificamente em resposta a vários estímulos diferentes. No entanto, esta variabilidade apresenta-se favorável quando comparada com a do colesterol total. 7.
Embora a intimidade dos mecanismos subjacentes que disparam a resposta
inflamatória na aterosclerose seja desconhecida, o aumento da PCRus
é biologicamente plausível, e ela deve ser vista como um marcador coadjuvante
da inflamação mediada por citoquina. A PCR pode atuar como procoagulante,
induzir a 8.
O método de determinação da PCRus é automatizavel e possui custo
razoável. 9.
As evidências comprovam que as concentrações da PCRus podem ser modificadas
por algumas drogas, como a aspirina e as estatinas, o que, dadas
as implicações fisiopatológicas descritas acima, abre um horizonte para
novas estratégias de combate a aterosclerose. Conclusão Não há dúvida que a PCRus está aumentada nos indivíduos em risco de eventos cardiovasculares. A PCRus pode ser usada para predizer o risco relativo do primeiro enfarte de miocárdio em grupos de baixo risco, como é o caso dos indivíduos sem hiperlipemia, sem hipertensão , sem historia familiar de DAC, não diabéticos e não fumantes. Estudos, como o que demonstrou que indivíduos com LDL abaixo de 130 mg/dL e a PCRus em níveis elevados tem um risco 3 vezes maior de futuros eventos coronarianos do que o com LDL abaixo de 130 mg/dL mas com a PCRus em níveis baixos, evidenciam ser ela um marcador independente e a utilidade do seu uso em associação com as tradicionais dosagens de lipídios. |