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Nº
117 Fev - 2002
OS
RETICULÓCITOS
A
enumeração dos reticulócitos é freqüentemente realizada para a
obtenção de informações a cerca da integridade funcional da medula
hematopoiética.
As
células vermelhas do sangue são continuamente renovadas na medula
óssea a partir da célula hematopoiética primitiva. O pronormoblasto
passa pelos estágios de normoblasto basófilo, normoblasto policromatófilo,
normoblasto ortocromático, reticulócito e eritrócito maduro. Esta
progressão, desde pronornomoblasto até célula vermelha anucleada,
é rigorosamente regulada pela eritropoietina e outros fatores,
com o intuito de manter a oferta adequada de oxigênio aos tecidos.
O
reticulócito sofre um período inicial de maturação dentro da medula
óssea e é então liberado ao sangue periférico onde diferencia-se
em hemácia madura em 2 a 3 dias. Ele é uma célula vermelha anucleada
ligeiramente maior do que a hemácia madura (10 a 15 µm versus
6 a 8 µm), e contém resquícios de RNA e outras organelas que podem
ser visualizadas com o uso de corantes supravitais do tipo do
azul de cresil brilhante. Os reticulócitos ‘jovens” possuem massas
densas de RNA e outras substâncias, que vão se tornando granulares
e finalmente desaparecem quando o reticulócito completa a sua
diferenciação a eritrócito maduro.
A
contagem de reticulócitos é reportada como uma porcentagem em
relação ao total de hemácias examinadas, cujos valores referenciais
estão entre 0,5 e 1,5 %, sendo 3,0 % o valor superior da normalidade.
Esta forma de expressar o resultado pode acarretar conclusões
errôneas quando o número de eritrócitos é anormal e há uma forte
estimulação eritropoiética na medula, como a que pode ocorrer
na anemia. Uma forma mais acurada de oferecer o resultado é como
número absoluto de reticulócitos por milímetro cúbico de sangue,
cujos valores de referência estão entre 20.000 e 80.000/mm3 ,
sendo 120.000/mm3 o valor superior da normalidade.
Outras
partículas que não o RNA (corpúsculos de Heinz, corpos de Howell-Jolly,
remanescentes nucleares, grânulos sideróticos, debris, etc.),
podem ser confundidos com os grânulos reticulares e dificultar
a contagem.
SIGNIFICADO
CLÍNICO DA CONTAGEM DE RETICULÓCITOS
| Doença |
Mecanismo |
Causa |
| RETICULOCITOPENIA |
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| Anemias
hipocrômicas |
Distúrbios
na síntese de Hb |
Deficiência
de ferro, Anemia da doença crônica, Talassemia, Anemia sideroblástica |
| Anemias
aplásticas |
Distúrbio
na eritropoiese |
Idiopática,
Doença renal, Metástase óssea, Infecção viral, Aplasia
induzida por droga, radiação ou imunológica |
| Anemia
megaloblástica |
Distúrbio
na síntese de DNA |
Deficiência
de vitamina B12, Deficiência de ácido fólico |
| Crise
aplástica na anemia hemolítica |
Variável |
Variável |
| RETICULOCITOSE |
|
|
| Perda
sanguínea |
Eritropoiese
aumentada |
Hemorragia
aguda, Hemorragia sub-aguda |
| Anemias
hemolíticas |
Destruição
aumentada dos eritrócitos |
Hemoglobinopatias,
Distúrbios da membrana dos eritrócitos, Doença hemolítica
imune, Hiperesplenismo
|
A
atividade eritropoiética da medula óssea e o ritmo de liberação
das células da medula para o sangue periférico são os fatores
determinantes do número de reticulócitos no sangue periférico.
Em relação a classificação das anemias, estas podem ser divididas
em “regenerativas” (com reticulocitose) e “aregenerativas” (sem
reticulocitose).
A
reticulocitose ocorre normalmente nos pacientes anêmicos com medula
óssea funcional. Aqui estão incluídos os pacientes com perda de
sangue ou anemias hemolíticas (anemia falciforme, talassemias,
esferocitose, deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase,
doença hemolítica imune e hiperesplenismo), e os pacientes que
foram tratados com sucesso para outros tipos de anemia.
Em
contraste, os pacientes com aplasia de medula, eritropoiese inefetiva
ou produção deficiente de eritropoietina, podem mostrar uma contagem
normal ou diminuída de reticulócitos a despeito de grave anemia.
Nestes pacientes estão incluídos os com anemias por deficiências
de ferro, folato ou vitamina B12, anemia perniciosa, aplasia
eritrogênica imunológica ou induzida por drogas, leucemia, carcinoma
metastático, mielofibrose, insuficiência renal crônica e outros
distúrbios.
A
contagem de reticulócitos é, assim, crítica para o diagnóstico
de várias doenças hematológicas e para a classificação dos pacientes
com anemia. Alem dessa utilidade diagnóstica, a contagem de reticulócitos
desempenha um papel de crescente importância na monitoragem dos
pacientes que estão sendo medicados para algumas doenças, como
é o caso dos que estão recebendo terapêutica pela eritropoietina
humana recombinante (rhEPO) e outros fatores de crescimento hematológicos
usados para estimular a produção do éritrom. A terapêutica com
a eritropoietina recombinante tem sido utilizada para tratamento
de anemias associadas com supressão da medula óssea por câncer,
transplante, quimioterapia, mielodisplasia, uso de zivudina em
aidéticos, anemia falciforme, insuficiência renal crônica, e outras
doenças.
Uma
aplicação recente da contagem de reticulócitos é na detecção do
uso da eritropoietina como droga de abuso por parte de esportistas,
para conseguirem induzir poliglobulia visando um melhor desempenho
em competições esportivas.
UTILIZAÇÃO
CLÍNICA DA CONTAGEM DE RETICULÓCITOS
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DIAGNÓSTICO HEMATOLÓGICO
Classificação de paciente anêmico
Diagnóstico e gravidade de anemia hemolítica
Avaliação da função da medula óssea
Crise aplástica na anemia hemolítica
Mielodisplasia
Hemorragia ou hemólise oculta ou
compensada
Crise falciforme e outras complicações da anemia
falciforme
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MONITORAGEM TERAPÊUTICA
Terapêutica com EPO na AIDS, quimioterapia, etc. Regeneração da medula
óssea pós-transplante medular Êxito de transplante
renal
Tratamento de anemia
(Fe, B12, folato, EPO, etc) Tratamento com hidroxiureia na anemia falciforme
Necessidade transfusional para o recém nascido
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OUTRAS APLICAÇÕES
Identificação
do momento para coleta de células primitivas
Abuso de
EPO por parte de esportistas
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