
|
GONADOTROFINA
CORIÔNICA HUMANA A
Gonadotrofina Coriônica humana é largamente utilizada como
um indicador de gravidez ou de tumor produtor de hCG.
O hCG é uma glicoproteina composta
por duas subunidades: a
e b.
A subunidade alfa é essencialmente idêntica a do LH, FSH e TSH,
fato que pode determinar alguns resultados falsos positivos nos testes
de gravidez que são baseados na reatividade com a molécula total. A
subunidade beta é específica do hCG
e é responsável pelos seus efeitos hormonais. Os testes de laboratório
baseados na reação com
a subunidade beta não são sujeitos a reatividade cruzada com aqueles
outros hormônios. O teste feito usando como amostra
a primeira urina da manhã é preferível por ser este um espécime mais
concentrado. Os resultados podem ser negativos numa gravidez inicial
ou quando o teste é feito em urina muito diluída (densidade baixa).
O teste qualitativo feito em lâmina ou em tubo pode ser difícil de interpretar
quando a concentração do hCG é baixa, como é o caso da gravidez inicial,
aborto incompleto ou recente e na gravidez ectópica. Esses testes qualitativos
têm sido substituídos pela dosagem da subunidade beta do hCG, utilizando
dois anticorpos monoclonais associados com imunoespecificidade para
distintos sítios da molécula. As elevadas especificidade e sensibilidade
desses testes atuais, permitem identificar uma prenhez já a partir do
60 – 140 dia da concepção, o que corresponde a
uma positivação do teste quando o hormônio intacto excede 5 UI/L. Dosagem
do ß hCG A interpretação do teste requer
cautela, pois a presença
do hCG não é sinônimo de gestação. Valores elevados são encontrados
em neoplasias de células germinativas e tumores trofoblásticos gestacionais
(mola hidatiforme, mola parcial
e coriocarcinoma).
Algumas ilhotas celulares de outros tumores também podem produzir
hCG, como alguns carcinomas do pulmão, estômago, pâncreas, fígado e
mama. O hCG no líquor pode ser útil no diagnóstico de neoplasia germinativa
intracraneana. Resultados falsos positivos
podem ser obtidos após a transfusão de sangue oriundo de doador com
altos níveis do hCG, pela
presença de anticorpos heterófilos, ou de materiais semelhantes ao hCG eventualmente presentes em associação com cistos de ovário
ou doença inflamatória pélvica. Apesar de raros, os resultados
falsos positivos podem ser
os responsáveis pela adoção de condutas
médicas de graves conseqüências: Conseqüências
desastrosas Na eventualidade de uma paciente
apresentar um resultado positivo para hCG sérico, na qual foi excluída
a possibilidade de gravidez intra-uterina (ultra-som, dilatação e curetagem)
e ectópica (ultra-som, laparoscopia), a inferência citada nos livros
texto é de coriocarcinoma ou doença gestacional trofoblástica. Esta patologia seria oriunda de células placentárias remanescentes
no útero a partir de uma gravidez anterior, aborto ou outro evento gestacional,
que se tornaram malignas. Estes cânceres podem ser extremamente invasivos
e os livros de texto recomendam a instituição de terapia, mesmo que
a ressonância magnética e a tomografia computadorizada não revelem tumor.
Estas pacientes receberiam, portanto, quimioterapia e, se esta
falhasse em reduzir os níveis do hCG sérico, haveria indicação de histerectomia;
e, na falha de reduzir os níveis do hCG, uma combinação de quimioterápicos
altamente citotóxicos estaria em consideração. Uma relação de 12 pacientes
com hCG sérico falso positivo cuja conduta médica redundou nessas conseqüências
devastadoras foi publicada no Lancet 2000; 355: 712-15, e no Clinical
Chemistry 2001; 47: 308-315 demonstrando a imunoreatividade falso positiva
no soro e a completa ausência do hCG na urina. Esta falso positividade
é aparentemente devida a interferência de anticorpos heterófilos ou
anticorpos anti-animal, e pode ser bloqueada fazendo-se uso de agentes
bloqueadores heterofílicos. O USA hCG Reference Service,
que está em funcionamento há três anos com a finalidade de auxiliar
os médicos e laboratórios com pacientes apresentando resultados do hCG
irregulares ou contraditórios, refere outros 12 desses casos de conduta
enganosa com conseqüências desastrosas, apenas no último ano. Conclusão Espera-se que a divulgação desses casos de condutas enganosas induzidas pelos resultados falsos positivos do hCG venha contribuir para limitar a sua ocorrência. Desse modo, a possibilidade de imunoreatividade falso positiva para hCG sérico deverá ser considerada sempre que forem obtidos resultados positivos irregulares ou contraditórios. Nessas condições, o médico assistente deve contactar o laboratório e solicitar a dosagem do hCG por metodologia diversa da utilizada anteriormente e comparar o resultado obtido no soro com o efetuado na urina. |