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A PROPÓSITO DO NOSSO MANUAL DE EXAMES DE LABORATÓRIO Por
vezes somos surpreendidos por resultados inesperados nos exames de laboratório,
os quais, freqüentemente, quando repetidos acabam se confirmando. As
possibilidades de interferências nos exames, representadas por fatores
pré-analíticos, analíticos e pós-analíticos, compõem listas extensas,
em especial a que contempla as drogas interferentes. Como a relação
das drogas interferentes não é facilmente acessível aos médicos assistentes,
optamos por disponibilizá-la no nosso Manual da forma que nos pareceu
a mais adequada para a consulta, e assim contribuir para auxiliar a
interpretação dos resultados. As
interferências que as drogas podem causar nos resultados dos testes
podem ser catalogadas em dois grupos: as interferências in vitro, isto
é, que causam alterações físicas ou químicas na metodologia empregada;
e as interferências in vivo, isto é, que ocasionam efeitos biológicos
no organismo do usuário. Os
Interferentes in Vitro Várias
drogas ou seus metabolitos podem interferir no procedimento analítico
usado no laboratório. É importante observar que uma droga pode interferir
em uma determinada metodologia e não, necessariamente, em uma outra
usada para analisar o mesmo parâmetro laboratorial. Diferenças
de técnica podem ser decisivas no grau de interferência da droga. Por
exemplo, a pesquisa de sangue oculto nas fezes feita por método imunológico
não é afetada pelo uso de ácido ascórbico, o qual poderá, contudo, gerar
resultados falsos negativos se a pesquisa for feita com o reativo
o-toluidina. Do mesmo modo, o rotineiro exame de glicose feito por métodos
enzimáticos identifica especificamente a glicose, enquanto os métodos
colorimétricos sofrem influência de vários outros açúcares. Os Interferentes in Vivo Quanto
aos efeitos biológicos das drogas in vivo, eles podem ser de dois tipos:
1 - Os que regularmente interferem em todos os indivíduos que façam uso da droga; por exemplo, os diuréticos tiazídicos dentre outras ações, diminuem os níveis de potássio no sangue, causam hiperglicemia, diminuem a tolerância a glicose e podem levar a uma azotemia pré-renal com hiperuricemia. 2 - Os que são encontrados irregularmente em algumas poucas pessoas devido a idiossincrasias, como é o caso das estatinas, que ocasionam elevação do CPK somente em alguns poucos usuários. Cabe lembrar que os efeitos encontrados nos relatos científicos são geralmente referentes ao uso isolado da droga; associações de drogas podem gerar efeitos inesperados e mesmo difíceis de ser explicados. Um exemplo interessante é o da cafeína encontrada no café, chá e bebidas coladas que, quando associada a analgésicos, estimula as adrenomedulares elevando os níveis das catecolaminas no sangue, ocasionando pequenas elevações da glicemia; pode aumentar também os ácidos graxos livres em até 30% e, se em uso habitual, eleva os triglicérides. O
diálogo médico X laboratório Quando
o médico assistente está diante de um resultado aparentemente discrepante,
além da análise dos interferentes, é importante fazer contato com o
colega do laboratório e estabelecer um diálogo. O diálogo é sempre proveitoso
para ambos os lados e da troca de informações poderão advir ações e
conclusões úteis: 1
- Mobiliza o laboratório para certificar-se dos seus resultados
e rastrear as ações desde a coleta até a emissão do laudo. 2
- Complementa as informações necessárias
para ambos com relação a possíveis interferentes pré-analíticos
(coletas inadequadas realizadas pelo paciente, tomada da amostra em
situação não conforme por omissão da informação por parte do paciente,
instruções erradas quanto a necessidade de jejum, repouso, dietas, suspensão
de medicamentos e etc). 3
- Traz a tona, através dos resultados laboratoriais a possibilidade
de outras patologias associadas à patologia de base e que somente estão
expressadas nos exames laboratoriais, não havendo ainda manifestação
clínica evidente. 4
- Incentiva a busca pela qualidade que ambos os profissionais querem
alcançar e que tem como beneficiário o paciente. No
caso do laboratório o diálogo se constituirá numa oportunidade de rever
seus métodos e protocolos e assim reavaliar seus processos. No caso
do médico assistente, estimula uma nova abordagem com o paciente para
a busca de explicações que possam elucidar as alterações encontradas. Os
médicos do Instituto estão permanentemente disponíveis para a troca
de idéias, e têm certeza de que a qualidade dos nossos serviços pode
ser significativamente melhorada com as críticas, esclarecimentos e
a experiência dos colegas clínicos. |