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A IMPORTÂNCIA DO DIAGNÓSTICO DA INFECÇÃO HIV-1 AGUDA Ultimamente
a atenção foi voltada para os potenciais benefícios do tratamento dos
pacientes durante a fase aguda ou estágios iniciais da infecção pelo
HIV-1. Nesta fase em que o vírus se replica rapidamente e o hospedeiro
mobiliza suas defesas imunológicas, a instituição precoce da terapia-retroviral
pode beneficiar os indivíduos infectados pela redução da quantidade
dos vírus disponíveis para infectar e destruir os linfócitos auxiliadores
CD4+; ademais, a rápida redução dos vírus circulantes diminue
o potencial para o desenvolvimento de cepas resistentes às drogas e,
finalmente, haverá um importante benefício de saúde pública a partir
da precoce identificação dos transmissores potenciais. Modelos matemáticos
sugerem que entre 52 e 92% de todas as infecções pelo HIV-1 podem ser
transmitidas durante a fase aguda da infecção por causa da elevada carga
viral associada a ignorância do portador quanto a sua condição de disseminador
do vírus. O
diagnóstico da infecção primária é, contudo, freqüentemente perdido
porque o médico não está atento aos sinais e sintomas clínicos ou porque
não são solicitados os exames apropriados. O quadro clínico O quadro clínico da infecção HIV-1 aguda varia amplamente: desde os totalmente assintomáticos aos que requerem hospitalização. A maioria, contudo, apresenta um quadro mononucleose-símile, com sinais e sintomas apontados no quadro:
[Adaptado
de Vanhems – J. Acquired Immune Defic. Syndr. 1999, 21:99-06 O
diagnóstico diferencial inclue mononucleose, dengue, citomegalovírus,
herpes simples, influenza, rubéola, hepatites, faringite estreptocócica,
brucelose e toxoplasmose aguda. Em muitas oportunidades a chave para
suspeita é a identificação de um fator ou comportamento de risco. Diagnóstico
laboratorial Na
infecção primária pelo HIV-1 os testes convencionais para os anticorpos
anti-HIV-1 (ELISA) são caracteristicamente não reagentes ou fracamente
reagentes. Desse modo, o diagnóstico da infecção aguda é estabelecido
pela presença do antígeno p24 ou do RNA viral por técnicas de
PCR, com a concomitante sorologia para anticorpos HIV-1 negativa ou
indeterminada. Este diagnóstico deverá ser ulteriormente confirmado
pela subseqüente soroconversão, atestada pelo ELISA e pelo Western blot. Detecção
do vírus pelo PCR ou pelo antígeno p24 A
rápida elevação da viremia na fase aguda da infecção pelo HIV-1 alcança
e ultrapassa os limites de detecção dos testes usados para avaliar a
carga viral, como o RNA HIV-1 baseado no PCR quantitativo ou o b-DNA
qualitativo. É importante alertar que existe a possibilidade da ocorrência
de falsos positivos nesses testes (2 a 5 % no b-DNA) que devem, portanto,
ser obrigatoriamente confirmados. Outro
método de estabelecer o diagnóstico do HIV-1 agudo é o teste para detecção
do antígeno p24, cujos níveis estão elevados nesta fase. Linfócitos
T O
sistema imune do hospedeiro é grandemente afetado pelo HIV-1, e há uma
significativa queda no número dos linfócitos periféricos em virtude
da queda das células T CD4+, cujo nível mais baixo é atingido
em torno de 9 dias depois do início da doença clínica aguda. Esse evento
é seguido por uma expansão das células T CD8+, resultando
na inversão da relação CD4+/CD8+. A inversão da
relação CD4+/CD8+ subseqüentemente atinge valores
menores que 0,5 em decorrência do aumento absoluto das células CD8+,
a qual está associada a queda da viremia. Acredita-se que esta queda
da viremia plasmática é em parte devida a ação dos linfócitos T citotóxicos
CD8+.
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