Nº 110   Mai - 2001 


TESTES     ANTI – HIV

Os falsos negativos e os falsos positivos

Em decorrência da Resolução CREMESP no  95/2000, publicada no DOE de 22 de novembro de 2000,  dispondo sobre o dever do médico de solicitar exame anti-HIV durante o pré-natal, pode-se antever que irá ocorrer um expressivo aumento nas requisições desse teste.

Considerando a gravidade da infecção pelo HIV e a crescente feminização da epidemia com os conseqüentes riscos de transmissão vertical, esta resolução chega em boa hora para se somar aos outros mecanismos já em prática destinados a controlar a expansão da AIDS em nosso País.

Diante da gravidade e do forte estigma dessa doença, e  como os testes para o diagnóstico do HIV se comportam do mesmo modo que todos os demais exames de laboratório médico, ou seja, apresentam resultados falsos negativos e falsos positivos, é da maior importância que o médico assistente ofereça as apropriadas informações às suas pacientes para evitar desnecessários traumas quando da ocorrência de falsos positivos, como também a enganosa tranqüilidade que poderia advir de um resultado falso negativo.

Relembramos que o Ministério da Saúde, na Portaria 488 de 1998, padronizou os procedimentos seqüenciados para a detecção dos anticorpos anti-HIV, determinando:

Numa primeira fase sejam realizados dois testes em paralelo, com antígenos e/ou metodologias distintas. Os que resultarem positivos ou discordantes são obrigatoriamente repetidos em uma nova amostra de sangue. Os que permanecerem positivos ou discordantes são analisados pelo Western blot, e os que neste último teste resultem negativo ou indeterminado são ulteriormente investigados para o HIV-2. Dessa forma, é de se enfatizar a conveniência das pacientes já chegarem ao laboratório alertadas da eventual necessidade de ser feita uma nova coleta de sangue, para que essa ocorrência não venha criar uma situação de sobressalto e insegurança, facilmente evitável com o prévio esclarecimento feito pelo médico assistente.

Falsos negativos

Os anticorpos anti HIV1 e HIV 2 não são encontrados na infecção recente  até em média 23 dias após o contágio (fase de janela), e podem faltar nos estágios terminais da doença. Aqueles aidéticos que se tornam soro negativos ao se aproximarem dos estágios terminais, ao serem tratados voltam a ser soro positivos quando respondem bem a terapêutica anti-retroviral.

As taxas de falsos negativos ao Western blot não são bem estabelecidas. Uma desvantagem desse teste  é o elevado percentual de “indeterminados” – nem positivo nem negativo. Estes resultados indeterminados podem ocorrer na fase inicial da infecção, na AIDS avançada, no lupus eritematoso sistêmico, fator reumatóide, gamapatia policlonal, na lepra, nas infecções sub-clínicas com outros retrovírus ou por exposição significativa à bovinos. Fenômenos autoimunes pouco conhecidos contra HLA também têm sido relatados associados com resultados indeterminados.

Durante a fase de janela, em que os pacientes ainda não desenvolveram anticorpos, podem ser usados para o diagnóstico a pesquisa do antígeno p24 e a pesquisa do vírus por PCR.

Falsos positivos

Resultados falsos positivos para os anticorpos anti HIV 1 e HIV 2 têm sido relatados em reações cruzadas com outros retrovirus, congelamento e descongelamento da amostra por várias vezes, doença hepática alcoólica, usuários de drogas injetáveis, doenças autoimunes, gamapatias monoclonais, anticorpos antilinfocitários, vacinação recente contra a gripe, anticorpos contra HLA – DR4.

Tem sido sugerido que o  Western blot em pacientes de baixo risco deve ser examinado adicionalmente para a presença ou ausência da banda p31. A freqüência relatada de falsos positivos entre doadores de baixo risco é  cerca de 1:250.000, e entre as amostras positivas do Western blot a prevalência de falso-positividade está numa faixa de 1 a 4,8 %.