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Os distúrbios hereditários da síntese da hemoglobina podem ser divididos em dois grupos: talassemias, em que as cadeias polipeptídicas normais são sintetizadas em ritmo reduzido, e hemoglobinopatias, em que as hemoglobinas variantes são estruturalmente anormais. Nas
hemoglobinopatias os achados clínicos apresentam um espectro muito amplo.
Várias hemoglobinas variantes tem funcionamento normal e são clinicamente
silenciosas. Algumas são instáveis e ocasionam hemólise intermitente
ou crônica. As que possuem afinidade aumentada pelo oxigênio são caracterizadas
por eritrocitose e as com afinidade diminuída estão associadas à cianose.
As que ocasionam a manutenção do ferro da hemoglobina no estado férrico
são caracterizadas pela metahemoglobinemia. E, finalmente, em algumas
poucas variantes o defeito estrutural provoca uma redução no ritmo de
produção e há um quadro clínico análogo àqueles vistos nas
talassemias. Em nosso meio, a hemoglobina anormal mais importante pela sua freqüência é a HbS, responsável pela anemia falciforme. Ela pode ser encontrada na descendência dos oriundos da África equatorial, sul da Turquia e bacia do Mediterrâneo, dentre outros. Comparadas à HbS, a HbC e HbG, também encontradiças em originários da África, afetam um número pequeno de indivíduos entre nós; o mesmo ocorrendo com as hemoglobinas D e E dos oriundos da Ásia. Apesar de numerosas – cerca de 700 – a maior parte das demais hemoglobinas variantes são raras e relatadas em famílias ou populações limitadas.
Diagnóstico
de Laboratório
Teste
de Falcização
O
fenômeno da falcização pode ser provocado nas hemácias portadoras de
HbS pela adição de agentes que promovem a desoxigenação. O gráu
e a rapidez da formação das hemácias falciformes depende da quantidade
relativa da HbS. Abaixo dos 6 meses de idade o teste pode resultar falso
negativo devido a HbS não ter ainda substituído suficientemente a HbF.
Outras hemoglobinas variantes que, do mesmo modo que a HbS, apresentam
substituição de uma valina por ácido glutâmico na cadeia beta da globina,
como a HbCGeorgetown e a HbSMemphis, também exibem o fenômeno da falcização.
Eletroforese
A eletroforese em acetato de celulose pH alcalino é de importância central no estabelecimento da presença das hemoglobinopatias mais comuns. Esta metodologia separa as hemoglobinas comuns em cinco grupos em função da sua mobilidade: grupo C (HbC, A2, E, Oarábica), grupo S (HbS, D, G, Lepore), grupo A (HbA, M, algumas instáveis e algumas com afinidade aumentada pelo O2), grupo J (HbJ, K, NBaltimore), grupo H (HbH, I, Bart). Para distinguir estas hemoglobinas que migram no mesmo grupo, procede-se ulteriormente a eletroforese em agar citrato pH ácido, na qual há uma separação diferente como mostra o quadro:
Outros exames
A caracterização completa de uma hemoglobina anormal pode requerer estudos laboratoriais sofisticados só disponíveis em centros de referência especializados, como análise gênica, eletroforese de cadeias de globina, focalização isoelétrica, cromatografia, estudo de restrição das endonucleases, reação em cadeia da polimerase.
Diagnóstico neonatal Atendendo
a imposição da Lei n0 10.357 (SP) de 27-08-1999, tornou-se
obrigatória a pesquisa de hemoglobinopatias em todas as crianças nascidas
nas maternidades e estabelecimentos hospitalares da rede pública no
Estado de São Paulo. Por essa razão, o nosso Teste do Pezinho teve o
seu escopo ampliado e passou a incluir também a análise das hemoglobinas
nos recém-nascidos. O
padrão nas crianças destinadas a desenvolver anemia falciforme compreende
HbF, alguma quantidade de HbS e ausência de HbA. O padrão no traço
falciforme é produzido por HbF, HbS e HbA. Nos recém-nascidos apresentando
HbS, o estudo deve ser complementado pela análise dos dois pais. O rastreio
rotineiro para hemoglobinopatias em recém-nascidos, permite alertar
os pais antes da manifestação clínica da doença e facilita sua educação
para gerenciar as complicações que vão se manifestar durante a infância
do falcêmico.
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