
INFLUENZA PANDÊMICA H1N1 2009
A pandemia causada pelo vírus influenza A em 2009, constituiu-se em importante desafio para a saúde pública e o esforço desenvolvido pelo Ministério da Saúde buscando combater esta doença merece o apoio de toda a população.
A Síndrome Influenza e o laboratório
A gripe é uma infecção aguda do sistema respiratório, causada pelo vírus influenza. Comumente confundida com o resfriado - que é uma doença benigna causada em geral pelo Rinovírus - a gripe pode ser muito mais grave ou até mesmo fatal. Enquanto no resfriado a infecção se limita ao trato respiratório superior, na gripe a infecção pode atingir o trato respiratório inferior, destruindo as células infectadas nos alvéolos pulmonares, além de poder favorecer infecção bacteriana secundária. No resfriado, o quadro é brando e a evolução é benigna (durando, em geral, dois a quatro dias, podendo as vezes se prolongar por uma semana ou pouco mais). Após um período de incubação de +/- dois dias, na primeira semana de gripe os sintomas se iniciam abruptamente com febre alta, em geral acima de 38° C (é o sintoma mais importante com duração em torno de três dias), seguida de dores musculares, dor de garganta, dor de cabeça, prostração e tosse seca. Com a progressão da doença, na segunda fase, as queixas respiratórias com tosse não produtiva se tornam mais importantes, e duram cerca de três a quatro dias depois do término da febre. A pneumonia por influenza pode produzir infiltrados em placas, sendo uma doença grave e frequentemente fatal.
Infelizmente, entretanto, há grande superposição dos sintomas de gripe e do resfriado comum, além de outras afecções do trato respiratório, tornando o diagnóstico em bases clínicas um grande desafio.
Portanto, o uso de testes laboratoriais tem se firmado como elemento indispensável ao diagnóstico. Atualmente o diagnóstico é realizado por testes que detectam a partícula viral: testes para antígenos da partícula viral (testes rápidos), ou testes moleculares (detectam ácido nucléico do genoma viral por RT PCR influenza H1N1). Dentre estes testes, apenas o teste molecular tem sensibilidade adequada para influenza AH1N1 2009.
Convém ter em mente que o vírus está presente por um período limitado e, deve ser pesquisado apenas em swabs combinados: nasal e orofaríngeo. Em indivíduos imunocompententes, o vírus circula desde o início do processo infeccioso até o 8º dia após inicio dos sintomas, sendo o pico da viremia no 2º a 3º dia após o início dos sintomas; o decaimento viral é exponencial, não sendo detectado após o 8º dia de sintomas. Entretanto, em bebês e crianças experimentando uma infecção inicial, ou em indivíduos infectados por uma nova cepa, pode haver um período estendido de replicação (de até 21 dias). Em indivíduos imunocomprometidos pode haver secreção de partículas virais por semanas a meses.
As pandemias influenza
Os vírus causadores da gripe têm distribuição global e podem ser do tipo A, B ou C. Frequentemente ocorrem epidemias pelos vírus A ou B, mas apenas a influenza A produz pandemias. As principais características da gripe são:
1- alta transmissibilidade
2- maior gravidade entre idosos, crianças, imunodeprimidos, cardiopatas e pneumopatas.
3- circulação dos vírus A entre algumas espécies de animais, constituindo-se assim em uma zoonose.
A maior pandemia de gripe foi a famosa “Gripe Espanhola”, em 1918, que acometeu cerca de 50% da população mundial e vitimou mais de 40 milhões de pessoas (mais de 35.000 no Brasil).
A presente pandemia de gripe, influenza pandêmica H1N1 2009, foi inicialmente identificada no México em março de 2009 e, posteriormente, 212 paises relataram a doença, inclusive o Brasil com casos em todas as regiões brasileiras.
A gripe pela cepa H1N1 2009 foi diferente das gripes epidêmicas de influenza por alguns aspectos característicos:
A - casos de maior gravidade em obesos
B - casos graves em grávidas
C - casos graves em adultos jovens
D - ausência de casos graves em idosos
Acredita-se que idosos tenham imunidade prévia capaz de cruzar com a cepa atual e que os jovens tiveram a sua primeira experiência imune com este vírus.
Entretanto, como sempre, são mais susceptíveis a complicações os portadores de doenças crônicas cardiovascular, cardiopatias, renal crônico, doenças hematológicas, terapia com imunosupressores, doenças metabólicas, genéticas e neurológicas.
Com o objetivo de diminuir a morbimortalidade pelo vírus da influenza H1N1 2009, a fase epidemiológica de contenção da doença foi ultrapassada e hoje estamos na fase de mitigação da epidemia, através da vacinação preventiva, visando:
a- reduzir o risco de expansão da transmissão do vírus
b- vacinar os profissionais da saúde para que os serviços de saúde sejam mantidos em pleno funcionamento e capazes de atender e dar respostas adequadas e em tempo oportuno à população.
c- vacinar os grupos prioritários pelo maior risco de desenvolver complicações.
Para tanto já está em curso o programa organizado pelo governo de vacinação dos diferentes grupos populacionais:
1- os trabalhadores da área da saúde, vacinados entre 8 e 19 de março
2- as gestantes, crianças entre 6 meses e dois anos de idade e portadores de doenças crônicas: entre 22 de março e 2 de abril. As crianças receberão a segunda dose de 26 de abril a 7 de maio.
Neste grupo estão incluídos: asmáticos, imunocomprometidos, diabéticos, pessoas com grande obesidade, doenças respiratória crônica, neuromuscular, pulmonar obstrutiva crônica, hepática, renal, hematológica, insuficiência cardíaca, cardiopatias, e as em terapêutica contínua com salicilatos.
3- pessoas com 60 e mais anos de idade, de 24 de abril a 7 de maio, receberão as vacinas contra a gripe pandêmica e a sazonal.
4- A faixa etária de 20 a 29 anos está marcada para 5 a 23 de maio, e a de 30 a 39 anos para 10 a 21 de maio.
Tradicionalmente, a vacina de influenza sazonal contém três subtipos virais, por exemplo, a vacina para influenza sazonal da GSK, comercializada, contém os vírus AH1N1 (A/Brisbane/59/2007), AH3N2 (A/Brisbane/10/2007) e subtipo B (B/Brisbane/60/2008-símile).
Atualmente, três vacinas diferentes estão sendo usadas pelo governo brasileiro, são estas: 1- Glaxo Smith Kline (GSK), 2- SANOFI Pasteur (em parceria como Instituto Butantan) e 3- Novartis. Esses laboratórios são fornecedores de vacinas para vários países.
Estas vacinas são constituídas de vírus crescidos em ovos, tem efetividade média acima de 95% e é segura, pois contém vírus mortos e não podem, portanto, causar gripe. Processos agudos respiratórios após a vacinação significam processos coincidentes e não estão relacionados à vacina.
As contraindicações para seu uso são:
1- antecedentes de reação anafilática grave aos componentes da vacina, como alergia a albumina do ovo ou a proteínas de galinha.
2- doenças agudas graves.
FAÇA A SUA PARTE.
É NECESSÁRIA A COLABORAÇÃO DA POPULAÇÃO, DIVULGANDO E COMPARECENDO AOS LOCAIS DE VACINAÇÃO NAS DATAS PROGRAMADAS.
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