
No ano de 2006, a epidemia ainda continuava ainda intensa, com 345.922 casos registrados no Brasil, sendo notificados 682 casos de Febre Hemorrágica da Dengue e 76 óbitos. Em nossa região, segundo informações do Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado (CVE/SP), no ano de 2006, houveram 2.638 casos em Santos (50.021 no estado), no ano de 2007 houveram 827 casos em Santos (92.345 no estado), em 2008 houveram 87 casos em Santos (7.364 casos no estado); em 2009 houveram 56 casos autóctones, 17 dos quais no mês de Dezembro (8.636 no estado). Portanto, a situação parecia estar caminhando para o controle relativo.
Entretanto, neste ano de 2010, talvez devido a um verão atípico, o numero de casos parece estar em ascensão: o total de casos de janeiro e fevereiro de 2010 somados (até dia 24/02), atingiu 398 casos no Guarujá; 02 em Itanhaem; 11 em Cubatão; 04 em Mongaguá; 03 em Bertioga; 26 na Praia Grande; 51 em Santos e 135 em São Vicente, chegando no ano de 2010, a um total de 7594 casos autóctones no estado e 254 casos importados.
No mês de fevereiro, parece ter havido uma diminuição do numero de casos do estado, conforme os dados do CVE, postados até o dia 24/02: 6542 casos autóctones em janeiro contra 1052 casos em fevereiro.
Entretanto, desta vez, gravidade dos casos parece estar se intensificando, pois parece haver maior freqüência de Febre Dengue Hemorrágica, quadro causado por uma resposta tipo TH1 contra o vírus, mais agressiva que a resposta usual. Existe também a possibilidade de que o vírus tipo 4, esteja circulando em nosso meio, pois ele já fora detectado no norte do país em 2008. Infelizmente, isto traz um risco importante para indivíduos que já haviam se infectado por outros sorotipos de Dengue, pois não tem imunidade contra o novo sorotipo e, são susceptíveis um quadro de mais grave como o da Febre Dengue Hemorrágica.
Acredita-se que ocorre um fenômeno conhecido como “Amplificação Dependente de Anticorpos”: indivíduos que infectados por outros sorotipos, tem uma resposta imunológica parcial, com anticorpos que se ligam aos vírus, mas não são capazes de inativa-los. As partículas virais então opsonizadas, são mais facilmente ingeridas por monócitos, que é a célula hospedeira do agente. Estes por sua vez como também não são capazes de destruir o vírus acabam por ampliar a produção de partículas virais.
O Diagnóstico Laboratorial
Hemograma
O hemograma de um indivíduo com Dengue aguda apresenta uma leucopenia variável, em torno de 3.000 leucocitos, em geral com desvio a esquerda discreto. Em geral se apresenta com linfócitos atípicos em pequeno percentual (15%). Caracteristicamente, as plaquetas estão diminuídas, desde valor inferior a 100.000 para até 10.000/dL. Os resultados deste exame, embora forneçam pistas, não permite uma resposta conclusiva.
Sorologia para Dengue-pesquisa de anticorpos IgM e IgG anti-Dengue.
O diagnóstico definitivo é realizado pela detecção de anticorpos específicos anti-Dengue, tanto da classe IgM quanto da classe IgG. Os anticorpos são detectáveis no soro, a partir do 5º dia de febre /sintomas, inicialmente os da classe IgM, atingindo estes seu pico em torno do 14/21 dia durando pelo menos por 30 a 50 dias. Uma semana depois do surgimento dos anticorpos IgM, há o aumento dos anticorpos da classe IgG, que persitem em baixos títulos indefinidamente.
O padrão desta resposta de anticorpos anti-Dengue pode ser usado para discriminar uma infecção primária de uma infecção secundária: normalmente, os anticorpos IgM são os primeiros a surgir (resposta imunológica primária), e após 1 a 2 semanas surgem os anticorpos IgG (resposta secundária, mais específica). Na primo-infecção, os anticorpos IgM atingem valores acentuados ainda em presença de quadro clínico. Na infecção secundária, os títulos de IgG se elevam a partir já do 5º dia de infecção em paralelo ao IgM e, atingem valores mais elevados que na primo-infecção.
Pesquisa do antígeno NS1
Recentemente, um teste foi desenvolvido, que é capaz de detectar a presença do vírus na circulação. O teste é baseado em uma técnica imunológica, que permite detectar a proteína viral NS1, produzida pelo vírus e secretada na circulação em altas concentrações.
Diferentemente dos anticorpos, o antígeno NS1 é detectado desde o primeiro dia dos sintomas, até em torno do 6 dia (até o 4º dia em infecção secundária). Entretanto, com o surgimento de anticorpos anti-Dengue, o teste do antígeno passa a ser negativo.
Portanto, em presença de sintomas iniciados a menos de 5 dias, este teste detecta proteínas virais na circulação, antes mesmo de haver anticorpos específicos contra o vírus.
Testes Moleculares
O uso de testes moleculares para dengue hoje tem aplicação limitada. O PCR para Dengue foi substituído pelo teste para o antígeno NS1, que possui a mesma cinética, sensibilidade e especificidades. Já o seqüenciamento é reservado para finalidade epidemiológica, pois seu custo e tempo de resposta não são adequados para a clínica.
Diagnóstico Etiológico no Laboratório Clínico
Em presença de suspeita clínica de Dengue, o uso combinado dos testes de anticorpos (anti-Dengue da classe IgM e IgG), junto com o teste do antígeno NS1, é capaz de fornecer a melhor combinação diagnóstica, desde o primeiro dia dos sintomas (teste antígeno NS1) passando pelo 5 dia de sintomatologia, quando se inicia a produção de anticorpos IgM anti-dengue, até a resolução completa da doença, com a persistência de anticorpos IgG.
O Instituto de Análises Clínicas de Santos, realiza testes rápidos anti-Dengue, tanto para anticorpos IgM e IgG, como para o antígeno NS1.