ATUALIZAÇÃO DE METODOLOGIAS LABORATORIAIS


Boletim "IN FORMAÇÃO"
Nº 173 - MAI-SET/2009





ATUALIZAÇÃO DE METODOLOGIAS LABORATORIAIS

O avanço tecnológico e científico, em todas as áreas da Medicina, tem ocorrido em uma velocidade difícil de acompanhar.
A Patologia Clínica surgiu no início do século passado, com a publicação do livro “A Manual of Clinical Diagnosis”, que abordava os vários aspectos do diagnóstico clínico-laboratorial. Em 1922, as primeiras publicações da Patologia Clínica ofereciam cerca de 10 exames aplicáveis em Bioquímica Clínica. Já em 1990, estavam disponíveis 490 exames nesta mesma área. Em 2007, contávamos com mais de 1000 exames diferentes aplicáveis no diagnóstico das várias patologias.
O volume e a rapidez de informações, aliados ao grande avanço tecnológico e ao desenvolvimento de novas metodologias laboratoriais, têm possibilitado o surgimento de marcadores de evolução, marcadores de prognóstico e tratamento, e exames mais sensíveis e específicos, permitindo diagnósticos cada vez mais precoces. Infelizmente, as tabelas de procedimentos utilizadas pelos profissionais médicos encontram-se desatualizadas em décadas, elencando exames que foram abandonados e que estão em desuso.
Exemplificando, arrolamos alguns desses exames que ainda seguem sendo solicitados, mas que devem caminhar para o abandono:

AMP cíclico urinário: usado na definição de hiperparatiroidsmo, foi substituído por dosagens específicas de PTH.
Anticorpo antifator microssomal: realizado por hemaglutinação. Substituído pela determinação de anticorpo anti-peroxidase tiroideana.
Anticorpo antiilhota por imunofluorescência: substituído por anticorpos específicos contra componentes da ilhota (anti-GAD, anti-ICA 512, anti-insulina).
Dosagem de lipídios totais: atualmente, prefere-se a dosagem específica de cada um dos componentes lipídicos, tais como colesterol total, LDL-colesterol, HDL colesterol e triglicérides.
Eletroforese de lipídios: substituída pela dosagem específica de cada um dos componentes lipídicos, como colesterol total, LDL colesterol, HDL colesterol e triglicérides e lipoproteínas, como a apolipoproteína A-1, apolipoproteína B-100 e a lipoproteína (a).
Fosfatase ácida prostática: substituída pelo PSA total e relação PSA livre/PSA total.
FTA-Abs: ainda é muito usada, mas tem sido substituída por técnicas automatizadas e com o mesmo valor clínico, como ELISA, que avaliam a presença de anticorpos treponêmicos.
Hemoglobina glicada total: substituída pela dosagem da fração HbA1c específica ou simplesmente A1C.
Hidroxiprolina urinária como marcador de reabsorção óssea: substituída pelas determinações de estruturas específicas do colágeno tipo I, como Ctx e Ntx, de preferência séricos.
Medida da atividade da CPK-MB por imunoinibição: substituída por CK-MB massa e/ou troponina.
Medida do cálcio livre através de equação matemática: substituída pela dosagem do cálcio ionizado pelo método do eletrodo íon sensitivo.
Metabólitos urinários de esteróides: 17 OH, 17 KS, pregnanediol. Susbstituídos pelas dosagens específicas de esteróides séricos.
Mucoproteínas: superado por outras provas de fase aguda, como PCR, alfa -1-glicoproteína ácida, substância amilóide A e VHS.
Pesquisa da Proteína C Reativa por método de aglutinação: substituída pela dosagem da PCR por nefelometria ou por turbidimetria( método ultra-sensível).
Pesquisa de células LE: é muito suscetível a erros metodológicos e de interpretação, o que pode agravar a baixa sensibilidade e acrescentar um fator de não especificidade. Deve ser substituída pela dosagem de anticorpos antinucleossomo (ou anticromatina), que determinam o mesmo grupo de auto-anticorpos, e têm melhor sensibilidade e maior consistência metodológica.
Proteína de Bence-Jones por floculação: ainda tem grande interesse clínico, mas a metodologia por aquecimento e acidificação de urina foi ultrapassada e deve ser substituída pela eletroforese das proteínas urinárias e identificação por imunofixação, com anticorpos específicos anticadeias leves.
Reação de hemaglutinação para toxoplamose: substituída por imunofluorimetria e pela quimiluminescência, que apresentam maior precisão e acuidade.
Reação de Machado-Guerrero: reação clássica de fixação do complemento para detecção de anticorpos contra o Trypanosoma cruzi. Substituída por métodos mais modernos e sensíveis, como imunofluorescência indireta.
Reação de Paul Bunnell Davidsohn: técnica trabalhosa, usada para o diagnóstico de mononucleose infecciosa. Avalia a presença de anticorpos heterófilos – anticorpos de reatividade cruzada dirigidos contra antígenos presentes na superfície de hemácias de carneiro, boi ou rim de cobaia. Estes anticorpos costumam ser produzidos apenas a partir da adolescência. Técnica com baixa sensibilidade para pré-adolescentes, onde a doença é mais prevalente. Foi substituída pela imunofluorescência indireta para anticorpos contra o antígeno do capsídeo viral (VCA) ou o ensaio imunoenzimático (ELISA).
Reação de Wasserman: empregada para pesquisa de anticorpos não-treponêmicos associados á infecção pelo Treponema pallidum. Substituída por RPR (Rapid Plasma Reagin).
Sabin Feldman: devido ás dificuldades da técnica e os riscos envolvidos (usa parasitas vivos) foi substituída pela imunofluorimetria e pela quimiluminescência para detectar anticorpos.
VDRL: ainda é muito utilizada, mas os laboratórios a estão substituindo por técnicas mais reprodutíveis e de mesmo valor clínico, que avaliam a presença de anticorpos não-treponêmicos, como RPR.
Waaler-Rose: substituída pelos ensaios atuais para pesquisa de fator reumatóide por imunoturbidimetria ou nefelometria. Estes apresentam o painel de IgGs mais abrangente, não empregam hemácias e, sim partículas inertes, que têm maior sensibilidade e melhores resultados quantitativos.



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